Message in a bottle

Releio a aula de criatividade do repórter emotivo que entrevista o escritor James Ellroy, na “piauí”, e passo os olhos pelos minianúncios. Tem afinador, chapeleiro, curso de Mandarim, “Mensagem engarrafada & desaforo por encomenda”, ou seja, enrolamos e despachamos pergaminhos na garrafa com seus elogios, broncas…
A real? Um engradado de desaforos para os que não têm “senso de noção”, os chatos inconvenientes, repetitivos, carentes, mórbidos, deprês do tipo “tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor”.
Garrafadas saltando em 3D no quengo dos repassadores que entopem nossa caixa com textos atribuídos a escritores famosos, adaptações de autor desconhecido, e com alertas hepáticos, cardíacos e pulmonares que nos chegam em manhãs de domingo.
Container abarrotado para a raça abjeta chamada político.
Mas nem tudo é escuridão. Acabo de encomendar um pergaminho emocionado, assim de elogios. Destinatário? A galera do filme “O pequeno Nicolau”, obra-prima francesa que ontem me trouxe o riso de infância e tempos mais delicados. Merci infiniment, Nicolas.
P.S.: Ainda ecoam as gargalhadas gostosas de um senhorzinho solitário na poltrona da frente. Completamente entregue, beirava ali seus 8, 9 anos… Delícia.
(foto de Águia)
(foto de Greg Wood/AFP)

