No início era o Rosa
De uma enquete sobre os melhores inícios de livros (convidados de perfis diversos poderiam indicar até três começos inesquecíveis), eis os mais citados, em ordem aleatória:
“Cem Anos de Solidão” , “O Amanuense Belmiro” , “O Ventre” , “Moby Dick” , “Anna Kariênina”, “A Metamorfose” , “Grande Sertão: Veredas” , “O Apanhador no Campo de Centeio” , “Notas de Subsolo” , “O Complexo de Portnoy”
Como uma das aberturas que eu apaixonadamente mencionaria fez parte da lista, permitam-me:
“GRANDE SERTÃO: VEREDAS”
(Guimarães Rosa)

“NONADA. TIROS QUE O SENHOR ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo.”
No mínimo, arrebatador.
Enganou-se aquele que, um dia, disse ao Rosa que sua obra só seria entendida pelo sertanejo, o menos provável de seus leitores.





