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	<title>Selma Couri Barcellos</title>
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	<description>Viajando com as palavras, toda prosa. Vem comigo?</description>
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		<title>Salve!</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 12:25:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[[...] Mas salve, olhar de alegria! E salve, dia que surge! Os corpos saltam do sono, o mundo se recompõe. Que gozo na bicicleta! Existir: seja como for. A fraterna entrega do pão. Amar: mesmo nas canções. De novo andar: as distâncias, as cores, posse das ruas. Tudo que à noite perdemos se nos confia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-15714" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/cadeira1.jpg" alt="" width="525" height="349" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">[...]</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="padding-left: 180px;">Mas salve, olhar de alegria!</p>
<p style="padding-left: 180px;">E salve, dia que surge!</p>
<p style="padding-left: 180px;">Os corpos saltam do sono,</p>
<p style="padding-left: 180px;">o mundo se recompõe.</p>
<p style="padding-left: 180px;">Que gozo na bicicleta!</p>
<p style="padding-left: 180px;">Existir: seja como for.</p>
<p style="padding-left: 180px;">A fraterna entrega do pão.</p>
<p style="padding-left: 180px;">Amar: mesmo nas canções.</p>
<p style="padding-left: 180px;">De novo andar: as distâncias,</p>
<p style="padding-left: 180px;">as cores, posse das ruas.</p>
<p style="padding-left: 180px;">Tudo que à noite perdemos</p>
<p style="padding-left: 180px;">se nos confia outra vez.</p>
<p style="padding-left: 180px;">Obrigado, coisas fiéis!</p>
<p style="padding-left: 180px;">Saber que ainda há florestas,</p>
<p style="padding-left: 180px;">sinos, palavras; que a terra</p>
<p style="padding-left: 180px;">prossegue seu giro, e o tempo</p>
<p style="padding-left: 180px;">não murchou; não nos diluímos.</p>
<p style="padding-left: 180px;">Chupar o gosto do dia!</p>
<p style="padding-left: 180px;">Clara manhã, obrigado,</p>
<p style="padding-left: 180px;">o essencial é viver!</p>
<p style="padding-left: 180px;">
<p style="padding-left: 180px;">
<p style="padding-left: 240px;">(<span style="color: #000000;"><strong><em>Carlos Drummond de Andrade</em></strong></span>)</p>
<p style="padding-left: 240px;">
<p style="padding-left: 240px;">
<p style="padding-left: 240px;">
<p style="padding-left: 240px;">
]]></content:encoded>
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		<title>O anjo caído</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 11:15:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160;   &#160; &#160; Era 2012 ou nunca, buzinaram-lhe os maias. Desfilaria na Sapucaí. Amigo querido, cirurgião renomado, incumbiu o anestesista da equipe de escolher a escola e a fantasia, frisando que &#8220;só não queria aquela que homenageava iogurte com alas de bactérias que organizam o intestino.&#8221; Chegado o dia, ansioso, coração &#8220;batendo mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"> <img class="aligncenter  wp-image-15671" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/azar.jpg" alt="" width="390" height="113" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era 2012 ou nunca, buzinaram-lhe os maias. Desfilaria na Sapucaí.</p>
<p>Amigo querido, cirurgião renomado, incumbiu o anestesista da equipe de escolher a escola e a fantasia, frisando que &#8220;só não queria aquela que homenageava iogurte com alas de bactérias que organizam o intestino.&#8221;</p>
<p>Chegado o dia, ansioso, coração &#8220;batendo mais que as maracas, descompassado de amor&#8221;, partiu para se arrumar na casa do colega folião, repassar o samba, tomar um uisquinho desinibidor&#8230;</p>
<p>Porém, ai, porém. O anfitrião avisou que não ia beber por &#8220;questão de  segurança&#8221;. Concordou. Longe dele bancar o chato. A sunga (branca!) de seu Anjo veio trocada, tamanho P. Se puxava na frente, faltava atrás. Sentiu-se praticamente um Gabeira de <em>cache-sex</em>. Os pés até entraram nas sapatilhas. Mas os velhos e torturantes joanetes, não. Pisou na avenida, quebrou-lhe a asa esquerda e o maldito ferrinho da armação começou a feri-lo &#8220;à altura da escápula&#8221;. Passou o desfile  inteirinho apoiando a traquitana. Na moral. Como assim, a escola perder pontos em fantasia e adereços por causa dele?</p>
<p>Escola evoluindo, um componente bebum resolveu crocodilar sua mulher e &#8220;evoluir&#8221; ao redor dela. Fingiu que não viu, fazer o quê. Deselegante um arranca-rabo diante da multidão e das câmeras. Como assim, a escola perder pontos em evolução por causa dele?</p>
<p>Na dispersão, já a caminho da condução fretada, passou por uma área estranha com gente esquisita e ouviu dos rapazes alegres: _ <em>Beleza de reguinho!</em> Acelerou o passo. Bufava. Derretia.</p>
<p>_ Caríssima, que tal minha estreia na avenida? &#8211; pergunta traumatizado.</p>
<p>Tento filosofar, dizendo-lhe que são dores e delícias do carnaval como, de resto, da vida. Conto sobre nosso carro novinho abalroado por trás por um gringo bêbado, sem carteira e sem condição de descer para dialogar, o que nos obrigou a fazê-lo com sua acompanhante, uma afro<em>Minnie</em> gigantesca &#8211; a visão do inferno &#8211; , igualmente bêbada. A criatura só balançava o laçarote de bolinhas sobre a cabeleira progredida e dizia: &#8220;Xês &#8211; hic! &#8211; podem me telefonar que &#8211; hic! &#8211;  tudo será resolvido.&#8221;</p>
<p>_ Obrigado, Selminha, mas nada se compara a desfilar com os joanetes doendo, a asa quebrada e a bunda de fora. E a escola caiu, sabia?</p>
<p>Ô dó.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title></title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 11:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antonio Romane]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; &#160; Houve um tempo em que se dizia que a música era a voz de Deus, mas o tempo passou e o que ouvimos são alaridos e urros divinizados. &#160; &#160; &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-15676" title="" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/image0013.jpg" alt="" width="512" height="95" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Houve um tempo em que se dizia que a música era a voz de Deus, mas o tempo passou e o que ouvimos são alaridos e urros divinizados.</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>De modo que é isso</title>
		<link>http://www.tiaselma.com/2012/02/de-modo-que-e-isso/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 12:19:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos, esta pacata cidadã intencionava aproveitar o tríduo momesco para finalizar seu formidável crochê. Mas as batutinhas &#8211; aqui representadas pelas adoráveis Artemísia, Flaudeníglia e  Edwiges &#8211; insistem em me tirar do sacrossanto recesso do lar, sob alegação de que são grandes as chances de vencermos o certame de fantasias este ano, no quesito fremosura. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-15521" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/cont.-720x1024.jpg" alt="" width="389" height="553" /></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;">Amigos, esta pacata cidadã intencionava aproveitar o tríduo momesco para finalizar seu formidável crochê. Mas as batutinhas &#8211; aqui representadas pelas adoráveis Artemísia, Flaudeníglia e  Edwiges &#8211; insistem em me tirar do sacrossanto recesso do lar, sob alegação de que são grandes as chances de vencermos o certame de fantasias este ano, no quesito fremosura.</span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong>Como não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar, já mandei subir meu piano pra Mangueira e seja o que Deus quiser.</strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong>Esperem por mim, garotas!</strong></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff00ff;"><em><strong>BOM  CARNAVAL, QUERIDOS.</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Até  4ª feira,  com  novos  factos &amp; foctos.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #008000;"><em><br />
</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-2131" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2009/05/images-boca.jpeg" alt="" width="92" height="71" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong> </strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>RIO DE SEMPRE</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 10:07:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Lima]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; Rio de Sempre recorda o carnaval de&#8230; 63! &#160; &#160; Tive uma vida universitária muito atribulada, confusa, mas com muita sorte. De tudo que aprendi só gostei de uma matéria e a ela me dediquei. As outras eram todas de aprendizado muito difícil. A engenharia não era a minha vocação, foi uma opção. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-15569" title="" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/Rio-AG.jpg" alt="" width="498" height="299" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Rio de Sempre </em>recorda o carnaval de&#8230; 63!</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tive uma vida universitária muito atribulada, confusa, mas com muita sorte. De tudo que aprendi só gostei de uma matéria e a ela me dediquei. As outras eram todas de aprendizado muito difícil. A engenharia não era a minha vocação, foi uma opção. Quando me formei, com alguma dificuldade, consegui um emprego exatamente para trabalhar com a matéria com que me identificava. Muita sorte e me dei bem.</p>
<p>Em 1963, fiz um estágio no Estaleiro Mauá, na Ponta da Areia , em Niterói, para ver se ganhava gosto. O tiro saiu pela culatra, aquilo era um inferno. Um sol de 40 graus e eu no convés do navio em construção fiscalizando se a tubulação estava sendo montada de acordo com o planejado e projetado. Tinha de estar no estaleiro às 7 da matina. Detalhe: pequeno barco do estaleiro nos pegava na Praça XV, às 6:30.</p>
<p>Até que um dia aconteceu o Baile das Artistas, no Canecão. Saí do baile direto para o embarque no píer. Desesperado. Só que para minha surpresa, meu chefe estava no baile e me viu.</p>
<p>- Hoje o dia vai ser difícil para nós dois! &#8211; exclamei.</p>
<p>-Mas eu sou o chefe. Tenho como segurar a barra.</p>
<p>- Verdade.</p>
<p>- Quem era aquela moça que pulou com você a noite toda?</p>
<p>- Sei lá, uma foliona.</p>
<p>- Não sabe nem o nome?</p>
<p>- Com certeza até quarta-feira de cinzas descubro.</p>
<p>- Não acredito.</p>
<p>- Engenheiro, nos bailes de carnaval, a gente se comunica pelas músicas. Eu sei que ela não era funcionária pública. Quando a banda tocou &#8220;Maria Candelária&#8221;, a alta funcionária, ela, com o dedinho, dizia que não.</p>
<p>- Estagiário, você está me gozando.</p>
<p>- Sabe como ganhei a moça? Quando a orquestra tocou “Não tenho lágrimas”. Lembra? “O destino assim quis, de mim te separar&#8230;” Mandei logo: se é uma questão de destino, o problema acabou. Ela sorriu e pronto. Era bonita. Aquela fantasia de tirolesa me fascinou.</p>
<p>- Essa época para mim é uma loucura, estagiário, adoro carnaval.</p>
<p>- Fui logo me abrindo para a moça. Disse que era estudante e duro. Aproveitei o “tenha pena de mim&#8230;trabalho não tenho nada vivo no miserê&#8230;”  Ela levantou os dois dedinhos como quem diz: &#8220;eu também&#8221;. E logo veio um beijinho facial. As tirolesas são pessoas simples, geralmente bonitas e com graça.</p>
<p>- Se eu fosse o Superintendente do estaleiro te promovia.</p>
<p>- Quando cantamos juntos: “É com esse que eu vou, sambar até cair no chão&#8230;”,  pensei , já ganhei. Ninguém cai no chão impunemente. Mas acontece que olhei o relógio e o aviso do estaleiro já devia estar atracando. Me mandei. Disse que ia ao banheiro e me pirulitei. E agora estou aqui, firme. Forte, não sei.</p>
<p>- Você vai a outros bailes?</p>
<p>- Não sei se a todos, mas semana que vem, com certeza, no Baile do Havaí do Iate vou estar firme e animado. Vamos?</p>
<p>- Será que você vai encontrar a tirolesa?</p>
<p>- Tomara que não, Doutor, essas coisas têm de ir com jeito se não a casa cai&#8230; Conhece essa música? &#8220;Se alguém te convidar pra tomar um banho em Paquetá, pra um piquenique na Barra da Tijuca, ou pra fazer um programa no Joá&#8230;&#8221;, até vai, mas com cuidado se não pode botar tudo a perder.</p>
<p>- Estagiário, vou te confessar uma coisa, nunca tinha sacado que as músicas de carnaval têm recado&#8230;</p>
<p>- Engenheiros são assim mesmo, só conhecem os números. Não são só as músicas, as fantasias também. Ano passado estávamos saindo do Baile do Municipal e um dos nossos amigos começou a chorar. Todo mundo quis saber o motivo. Tinha um cara solitário sentado no meio fio da calçada fantasiado de diabo chupando um chicabom. Tem coisa mais deprimente? Um diabo chupando chicabom! Moça com fantasia de colombina é um perigo, você nunca sabe se está procurando o sonho de um Pierrot ou o desejo do Arlequim. São mulheres divididas. As melindrosas também não valem a pena , querem parecer o que não são, ficam mais preocupadas em mostrar o colar e metade das pernas do que qualquer outra coisa. Cigana nem pensar. Atrás de uma cigana tem sempre dois ciganos.</p>
<p>- Estagiário, vou ao baile do Iate com você.</p>
<p>- Então ensaia a música do ano: “Eu agora sou feliz”. Já conhece?</p>
<p>-Não.</p>
<p>-Vou te ensinar “&#8230;me abandona por favor. Porque agora tenho um novo amor, e eu não lhe quero mais&#8230;”.</p>
<p>- Com essa música não vou conseguir nada.</p>
<p>-Por isso mesmo, quando tocar você fica calado, nada de levantar o braço e rebolar. Disfarça a sua discordância. Deixa a dúvida no ar. Fica só no &#8220;agora sou feliz&#8221;.</p>
<p>- E no dia seguinte, aqui no estaleiro?</p>
<p>-Doutor, o baile é na sexta. Vou te dar uma dica e das boas. Folião pode ser tudo, menos ansioso. Fixa os olhos numa moça. Não tira. E quando a banda tocar “Recordar”, vai fundo. &#8220;&#8230;eu sonhei, meu grande amor, que você foi embora, logo depois voltou.” Essa música sensibiliza as folionas. Levanta astral. E na hora do “quem sabe, sabe”, meu amigo, é a sua última chance. Se não conseguiu nada, pode voltar para casa. Essa música é a definitiva. Conhece? “&#8230;Ai!, morena, deixa eu gostar de você, boêmio sabe beber, boêmio também tem querer”.</p>
<p>- Estagiário, agora quem vai te dar uma dica sou eu. No meu escritório tem um banheiro, vai lá, toma um banho e tira uma soneca. Eu te acordo às 11 para ir almoçar no refeitório.</p>
<p>Terminei minha vida de estudante de engenharia mecânica no estaleiro. Fui estudar Engenharia de Produção, que trabalha na sombra, no ar-condicionado e sem barulho de martelete. Ah!, e os escritórios abrem às 9.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 240px;"><span style="color: #000000;"><strong>Paulinho Lima</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-15646" title="" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/rio-lambr.jpg" alt="" width="500" height="334" /></p>
<p style="text-align: center;"> (<em><span style="color: #000000;"><strong>O Rio em 1963, by Frank Horvat</strong></span></em>)</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>Você e a tirolesa, Paulinho? Hehe.</strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title></title>
		<link>http://www.tiaselma.com/2012/02/15556/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 10:04:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Vieste em meio aos livros infantis na tepidez das chuvas estivais ao gosto vivo dos fonemas claros na rima simples dos quintais. Duraste a amplidão de uma tarde cara e a minha sina te acolheu, tão viva e a minha vida te abraçou, tão rara. Ali, entre aventuras coloridas no azul do mais azul [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-15595" title="" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/flor-laranja1.gif" alt="" width="79" height="79" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 150px;">Vieste em meio aos livros infantis</p>
<p style="padding-left: 150px;">na tepidez das chuvas estivais</p>
<p style="padding-left: 150px;">ao gosto vivo dos fonemas claros</p>
<p style="padding-left: 150px;">na rima simples dos quintais.</p>
<p style="padding-left: 150px;">Duraste a amplidão de uma tarde cara</p>
<p style="padding-left: 150px;">e a minha sina te acolheu, tão viva</p>
<p style="padding-left: 150px;">e a minha vida te abraçou, tão rara.</p>
<p style="padding-left: 150px;">Ali, entre aventuras coloridas</p>
<p style="padding-left: 150px;">no azul do mais azul dos sóis a pino</p>
<p style="padding-left: 150px;">sagrou-se o meu destino; mais um pouco:</p>
<p style="padding-left: 150px;">um certo jeito de sorrir que eu tinha</p>
<p style="padding-left: 150px;">e o doce mandato da alegria</p>
<p style="padding-left: 150px;">que vez por outra me acalenta a alma.</p>
<p style="padding-left: 150px;">
<p style="padding-left: 150px;">
<p style="padding-left: 270px;">(&#8220;A estrela fria II&#8221;, <em><span style="color: #000000;"><strong>José Almino</strong></span></em>)</p>
<p style="padding-left: 270px;">
<p style="padding-left: 270px;">
<p style="padding-left: 270px;">
<p style="padding-left: 270px;">
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 10:02:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antonio Romane]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; “Em poesia, a flecha cria o alvo.” Será que li isso? Livro? Quando? Onde? &#160; &#160; &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-15548" title="" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/image0012.jpg" alt="" width="512" height="95" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>“Em poesia, a flecha cria o alvo.” Será que li isso? Livro? Quando? Onde?</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>De belas manhãs</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 10:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; http://www.youtube.com/watch?v=HgR7YJpOoPE &#160; &#160; &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=HgR7YJpOoPE">http://www.youtube.com/watch?v=HgR7YJpOoPE</a></p>
</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Quintino e o Wando</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 13:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; _ Sou brega e gostava do Wando, Selminha. E é causo sucedido, hein! &#8211; me diz. Quem? José do Carmo, delícia de cronista que honra o blog em sua cativante mineirice.  &#160;   &#160; A morte do cantor Wando me trouxe lembrança de um estouvado companheiro de trabalho, no Rio de Janeiro, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">_ Sou brega e gostava do Wando, Selminha. E é <em>causo </em>sucedido, hein! &#8211; me diz.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Quem? </span><span style="color: #000000;"><strong>José do Carmo</strong></span><span style="color: #000000;">, delícia de cronista que honra o blog em sua cativante mineirice. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"> <img class="aligncenter  wp-image-15540" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/gif-cora.jpg" alt="" width="136" height="116" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A morte do cantor Wando me trouxe lembrança de um estouvado companheiro de trabalho, no Rio de Janeiro, o também falecido Luiz Quintino. Esse foi um cara que se destacava. Diretor Financeiro da empresa em que trabalhávamos, gozava da justa fama de sério, competente e equilibrado. Era casado com Vanira, mulher adorável com quem tinha dois filhos já moços.</p>
<p>Residia num bom apartamento da Zona Sul do Rio, levava vida profissional e social dentro dos padrões e manifestava, sempre, grande carinho pela esposa e até pela sogra. Versado nos elogios fartos, tinha na sogra sua beneficiária preferencial.</p>
<p>Lembro-me da ocasião em que buscava trocar o apartamento da família. Dizia enfático:</p>
<p>-Só me serve imóvel com terceiro quarto que seja “muito bom”, para minha sogra. Não abro mão de tê-la morando comigo. Minha mulher é maravilhosa, mas quem “adivinha meus pratos preferidos” é minha sogra.</p>
<p>Pois foi este homem de vida conjugal nos eixos que, a partir de certo dia, passou a incluir a própria secretária, Olivinha, nos confetes de sua verve. Moça casada e bem mais jovem que o chefe, talvez enfrentasse problemas em casa. Percebíamos que Quintino tornara-se seu confidente e, aos poucos, sua companhia invariável nos almoços. Rapidinho o namoro ficou óbvio.</p>
<p>Da parte de Quintino, rarearam os louvores à esposa e à sogra. As qualidades de Olivinha ganharam relevância em seu apostolado.</p>
<p>Pelo sim, pelo não, eu – o colega ao lado − decidi a tudo ver e ouvir em silêncio obsequioso. A situação era desconfortável para mim, na condição de também amigo da esposa, Vanira, pelos longos anos de convivência com o casal. Uma distância prudente do imbróglio me seria recomendável.</p>
<p>Deu-se que, por aquela época, o cantor Wando fazia um sucesso danado na casa de espetáculos “Asa Branca”, nos Arcos da Lapa.</p>
<p>-Imaginem! ele arremessa calcinhas de lingerie para as fãs!</p>
<p>Sem dúvida, Wando emplacava seus grandes “hits” populares. Quintino levou Olivinha ao show.</p>
<p>Se faltava algum tênue empuxo a inundar de paixão o coração do Quintino, o show do Wando foi a gota d’água. O homem já não conseguia trabalhar; grudou na Olivinha.</p>
<p>Claramente envolvido no lirismo da canção “Moça” (Só podia ser: assobiava aquilo o dia todo!), passou a desconsiderar as divisórias do recato.</p>
<p>-Era casado? Dane-se!</p>
<p>-A moça era casada? Dane-se ao quadrado!</p>
<p>-A moça era muito mais nova? O Wando resolve:</p>
<p><em>“Moça, dobre as mangas do tempo</em></p>
<p><em>jogue o teu sentimento</em></p>
<p><em>todo em minhas mãos&#8230;”</em></p>
<p>“Dobre as mangas do tempo” é garimpo poético de fino extrato, não acham? Pois o bom Wando, mineiro de Cajuri – povoado que fica ali, pertinho de Viçosa – disse mais, naquele show:</p>
<p><em>-Brega, minha gente, é não viver um grande amor.</em></p>
<p>O Quintino viveu. Deu um galho danado, mas viveu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 270px;"><span style="color: #000000;"><strong>José do Carmo</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 11:32:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>selma</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antonio Romane]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Expressão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; LÁPIS &#160; roliço ou sextavado todo lápis preto é uma vontade imóvel de mandar um recado (a cor é pra resposta) &#160; (Antonio Romane, em &#8220;Coleção de Slides&#8221;)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-15503" title="" src="http://www.tiaselma.com/wp-content/uploads/2012/02/rabisco3.jpg" alt="" width="225" height="225" /><span style="color: #000000;"><strong>LÁPIS</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 210px;"><span style="color: #000000;"><strong>roliço</strong></span></p>
<p style="padding-left: 240px;"><span style="color: #000000;"><strong>ou sextavado</strong></span></p>
<p style="padding-left: 210px;"><span style="color: #000000;"><strong>todo lápis preto</strong></span></p>
<p style="padding-left: 240px;"><span style="color: #000000;"><strong>é uma vontade</strong></span></p>
<p style="padding-left: 270px;"><span style="color: #000000;"><strong>imóvel</strong></span></p>
<p style="padding-left: 210px;"><span style="color: #000000;"><strong>de mandar um recado</strong></span></p>
<p style="padding-left: 210px;"><span style="color: #000000;"><strong>(a cor é pra resposta)</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 210px;">(<em><span style="color: #000000;"><strong>Antonio Romane</strong></span></em>, em &#8220;Coleção de Slides&#8221;)</p>
<p style="padding-left: 210px;">
<p style="padding-left: 210px;">
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