
Soneto do Desmantelo Azul
Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
(Carlos Pena Filho)


janeiro 26, 12 às 7:50 pm
“E perdidos de azul nos comtemplamos” é um belo verso. O poema todo, aliás.
janeiro 27, 12 às 11:50 am
Belíssmo poema, Selminha! Para se ler e reler com calma porque a cada leitura, uma descoberta.
Bjim
janeiro 27, 12 às 7:34 pm
Tilde, eu AMO esse poema, como diz Romane, ‘ahá’ tanto…
Beijocas!
janeiro 28, 12 às 10:15 am
Cedo ou tarde, tudo caminha para o Azul. Bela escolha, minha cara.
RR