My heart and I agree: é linda demais…
novembro 10, 11
novembro 10, 11
Trabalha agora na importação
e exportação. Importa
metáforas, exporta alegorias.
Podia ser um trabalhador
por conta própria,
um desses que preenche
cadernos de folha azul com
números
de deve e haver. De facto, o que
deve são palavras; e o que tem
é esse vazio de frases que lhe
acontece quando se encosta
ao vidro, no inverno, e a chuva cai
do outro lado. Então, pensa
que poderia importar o sol
e exportar as nuvens.
Poderia ser
um trabalhador do tempo. Mas,
de certo modo, a sua
prática confunde-se com a de um
escultor do movimento. Fere,
com a pedra do instante, o que
passa a caminho
da eternidade;
suspende o gesto que sonha o céu;
e fixa, na dureza da noite,
o bater de asas, o azul, a sábia
interrupção da morte.
(NUNO JÚDICE)
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novembro 8, 11

Verissimo – para quem a palavra mais bonita da língua portuguesa é “sobrancelha” – escreveu que certas palavras, ao serem pronunciadas, nos dão a impressão de que voam. “Sílfide”, por exemplo. É dizer e ver evoluções de borboleta no ar. Uma amiga, porém, discorda do mestre. Acha que “sílfide” está mais para peça de encanamento: “O sanitário está entupido. Vai ter que trocar a sílfide.”
É dela também a convicção de que “córtex” é instrumento cirúrgico, “marimbondo” é instrumento de percussão e “proxeneta” é aquela pecinha do carro que quebra à toa. Hilária, a minha Su.
Realmente, há tantas palavras que nada têm a ver com o que significam… “Escorreito”, “crepúsculo”, “escrutínio”, “púbere”, “esculápio”, “cútis”, “ósculo”, apesar de bem intencionadas, são um soco no queixo. Disparado, as mais feias da nossa língua. Já na categoria tudo a ver, pontificam “furúnculo” e “seborreia”.
E as mais belas, expressivas, sonoras, evocativas, na opinião desta blogueira?
Superfície
Alecrim
Cicatriz
Dália
Inquietude
Andarilho
Diáspora
Alumbramento
Alguma sugestão? Vão daí.
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novembro 6, 11

Madame Natasha, a famosa personagem do Gaspari que condena “a tortura do idioma” e concede “bolsas de estudo” aos que falam empolado, acaba de premiar o gênio de um banco que em vez de dizer que o sistema falhou por algumas horas, soltou nota com um “houve intermitência na disponibilidade do site”.
Destarte, pedirei que Madame conceda uma de suas bolsas ao atendente da minha farmácia ainda há pouco:
_ Ué, aumentou?
_ Senhora, nossos preços tiveram pequeno refresh.
Harvard nele.
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novembro 4, 11
Bole por dentro, desacata a gente, é revelia…
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novembro 4, 11

Oito amigos reuniram-se para uma experiência, no mínimo, inesquecível. Cada um escolheu as dez músicas que mais marcaram suas vidas. Não importava se eram esteticamente perfeitas pela letra, harmonia ou melodia, se simplórias ou bizarras. Contava a emoção, a tal “velha história de um desejo que todas as canções têm para contar”. Passaram uma noite inteira sem respirar nada que não fosse aquelas oitenta músicas – de valsa, guarânia, rock, balada, música barata a obras-primas nacionais e mundiais – , patrimônio que os enredava pela memória afetiva. Genial, não?
Ontem fui assistir ao filme “O Palhaço” (não percam, é encantatório, um exercício de esperança) e me emocionei com os créditos subindo ao som de “mas tudo passa, tudo paaaaassará…”. Há séculos não ouvia essa música. Escondida nos desvãos da memória, insuspeitada, atemporal, não constaria da minha lista de dez. Mas chegou chegando. Caramba. Acontece assim também.
Vem aí um documentário – “As canções” – em que as pessoas, paradas nas ruas do Rio de Janeiro, foram convidadas a cantar uma música que as marcou e a falar sobre ela. Alguns participantes, atingidos por um “raio emocional”, ratearam bonito, bonito…
E vocês, queridos do blog, o que cantariam? Não se tranquem no camarim. Tomem um calmante, um excitante, um bocado de gim… Eu espero.
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novembro 1, 11




Revolta e protesto agitam nossos Super-Heróis. Tudo por causa de uma questão da prova da 1ª fase do Vestibular 2012 da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ei-la:
O Super-Homem ganha poderes pelos efeitos dos raios solares, mas tem uma fraqueza: o minério criptonita. O Homem-Aranha adquire habilidades depois da picada de um aracnídeo. O Quarteto-Fantástico nasce dos efeitos de uma tempestade cósmica. Um a um, os elementos da natureza tornam-se importantes para o nascimento de vários super-heróis. Porém, mais do que superpoderosos, esses heróis de Histórias em Quadrinhos (HQ) também “escondem um segredo”:
Respostas consideradas corretas pelo gabarito oficial:
I. Reforçam a ideologia de uma nação soberana, a estadunidense, protegida dos inimigos, o que a credenciaria como mantenedora da liberdade mundial.
II. Veiculam subliminarmente a crença da supremacia dos brancos, enquanto suposta raça mais forte e inteligente face aos demais grupos étnicos do planeta.
Está tudo dominado… Como escreveu Reinaldo Azevedo, “isso não é uma prova de vestibular, mas uma peneira ideológica e um manifesto em favor da ignorância.”
Emília já está na Casa. Presta solidariedade aos meninos.
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novembro 1, 11

Maior força pra La Bündchen quando ela terminou com DiCaprio (olhar de navio afundando) e mudou de mala Hermès e cuia Prada para um polo bem mais saudável e solar chamado Tom Brady. Apoio irrestrito quando a furibunda da Iriny implicou com seu jeitinho lingerie de dar bad news ao marido.
Agora, ouvi-la dizer que o filhote Benjamin come brócolis pensando que é sobremesa… deprimiu. Será que o top fofo nunca vai sujar o bigode comendo brigadeiro na panela? Nem fazer bolinho de chuva com a mãe pra depois jogar canela e açúcar com a mãozinha no alto?
Vou dar um toque na Gi. Infância sem brigadeiro é divã certeiro.

Vai que é teu, Benjamin!
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