Solto avós nas estradas…

Aquele aluno sofria para dar o start nas redações. Com tempo marcado, então, era a treva. Sobravam-lhe ideias e capacidade de desenvolvê-las. Mas a primeira frase… parto de ouriço. Belo dia decidiu que iniciaria todas as redações, não importando o tema, com a impactante “Estamos vivendo tempos difíceis!”. Anos a fio, contou-me mais tarde, usou a senha mágica. Sucesso. (Melhor só mesmo Verissimo e seu desejo de começar um conto com “Vá à merda! -- disse a madre superiora.”)
Um outro, desesperado com regras ortográficas e respectivas exceções, decretou que a única palavra acentuada da língua portuguesa seria “é”. Tremenda coça corrigir provas e trabalhos do rebelde… Posso imaginar sua reação à última reforma.
Sempre foi complicada a “última Flor”. Derrapadas traiçoeiras são com ela mesma. Ainda mais agora que a moçada pega a coisa meio de ouvido… Leio que na passeata contra a censura, os humoristas gritaram em “uníssimo”. Céus.
Lembrou até a figuraça que cantava o djavaniano “mais fácil aprender japonês em braile” como “mais fácil apedrejar pôneis em baile” e nem titubeava ao justificar o porquê de seu sucesso com as mulheres: -- Posso ser fraco de feição, mas quebro nas ideias!
Quem duvida?


agosto 25, 10 às 6:33 pm
As escolas andam ensinando mal, Selma. Observo erros terríveis em jornais, revistas e, de pasmar, em livros didáticos. Horror.
BJS
agosto 25, 10 às 7:40 pm
Pasma com a tamanha coincidência sobre o tema, veja o que ouvi ontem por duas vezes: pela manhã uma moça conhecida nos mandava executar uma determinada função rapidamente porque “o tempo ruge”!!!(ruge de raiva dela, só pode ser). À tarde, um rapaz, bem apessoado, porte atlético, se queixava a um amigo: “onde eu trabalho é muita desorganização, não existe nem gerente, não temos a quem se tratar”. Os dois com formação universitária…
agosto 25, 10 às 8:07 pm
É isso que mais impressiona, Carla. Formação universitária!
Beijocas, querida.
agosto 25, 10 às 8:30 pm
Selma, você bem que podia escrever mais posts sobre sua experiência como professora. Deve ter um montão de histórias, né?
Beijo,
Ricardo
agosto 26, 10 às 3:02 pm
Oieee! Concordo com Ricardo! A gente ia ler coisas fantásticas! Pode começar, tia Selma.
Beijosssss
agosto 29, 10 às 6:00 pm
Oi fessora!
“Posso ir ‘no’ banheiro?” O professor de português não deixava.
Confesso que tenho duas sérias dificuldades: a primeira é ‘terminar’ o que escrevo; pode ver que, frequentemente os textos acabam assim… Interrompidos! A segunda é a ortografia, com tantas mudanças, me atrapalho um pouco e não me importo se alguém puser reparo caso escreva algo em desacordo.
(Ah, sim, e a pontuação também me confunde…)
Abrações,
Adh