“Gaveta”
(foto de Peter Marlow)
Hoje, pela primeira vez
é a última vez que contemplo o teu retrato.
Desdobrei aquele teu recado de amor
num papel perfumado.
E rasguei sem reler,
pela primeira vez sendo a última vez,
sem coragem de queimá-lo.
O pó da folha seca de flor eu soprei
pois fui eu que te dei
e você devolveu.
A corrente e o anel,
o colar e o chapéu
e um chaveiro de camelô…
E o bilhete da sorte do realejo do rei
eu nem sei o que diz.
Fiz questão de lembrar de esquecer quão feliz
a gente acha que foi.
Não te expulso daqui
- só agora lembrei -
este lugar é o teu.
Vou voltar por caminhos
do mundo onde errei
até te encontrar outra vez.
Adhemar - São Paulo, 06/07/2010
Como é linda a poesia desse amigo…


setembro 1, 10 às 2:23 am
Bela poesia, Belo cenario!
Generico
setembro 1, 10 às 12:47 pm
Gostei demais também. Lindo quando ele diz que vai refazer caminhos para reencontrá-la, quem sabe dessa vez com mais acertos…
Muito bonito, Selma. Parabéns ao Adhemar.
Bjs.
setembro 1, 10 às 3:36 pm
Já vivi cada verso do poema. Dor de amor é uma só.
setembro 1, 10 às 8:33 pm
- Belos e pungentes versos, Selma. Retrato sofrido, embora recatado, de uma desilusão. Ele, não obstante a tristeza, mantém a delicadeza das evocações sem rancor, como a homenagear o sentimento que em outro tempo aquecia a alma agora desalentada.
Sem dúvida, Adhemar é um poeta de grande sensibilidade. Palmas pra ele que ele merece! Palmas também para foto da ilustração, absolutamente adequada.
setembro 1, 10 às 8:45 pm
Parabéns Adhemar!
“Vou voltar por caminhos do mundo onde errei até te encontrar outra vez.” É bonito demais.
setembro 2, 10 às 11:30 am
Lindo o poema de Adhemar e muito bom gosto na sua escolha da foto, Selma.
“O bilhete da sorte do realejo do rei” é a tradução desse imponderável que chamamos destino.
Beijos, querida!
setembro 2, 10 às 12:36 pm
Ai, tia Selma, quantas vezes eu também disse que era a primeira da última vez que eu carregaria um piano de cauda por alguém…
Ameeeeeei!!!
Beijossssss saindo pro almoço.
setembro 5, 10 às 4:08 pm
Por isso fora! Esqueça meu rosto, meu nome, esta casa e siga seu rumo!!!
Beijos,
Tati.