É poste, é pedra, é o fim…
julho 12, 10
(O Globo)
Remetam-se àquela cena de “A Noviça Rebelde” com Maria girando na relva verde das montanhas austríacas. Então. No melhor estilo the hills are alive, lá venho eu, bolsa numa mão, resultados de exames na outra. Motivo da alegria? O 10 com louvor do clínico geral – chegou a escrever “excepcional!” – para todas as taxas, do LDL ao XPTO, passando pelas fosfoquinas aciduláticas ciclotímicas.
Queridos, de repente, do nada, saio quicando para frente, buscando apoio no vazio, bolsa e exames pelos ares, e caio es-ta-te-la-da feito uma jaca na calçada. Claro que tento vazar rapidinho, olho de banda para ver se a multidão percebeu – tsk, tsk, tsk… – e em agradecimento ao gentleman que me ergue pelo cotovelo e me devolve os pertences, arranco das entranhas doloridas o meu melhor sorriso.
Estacionado a centímetros da cena, o maridão, que nada viu do tombo, percebe o cavalheiro ultrapassando a distância regulamentar, sai voando do carro e, encarando-o por cima dos óculos, pergunta: _ Algum problema, cidadão? Desce o pano.
O fato aconteceu semanas atrás, num desses malditos calçamentos de pedras desalinhadas, quem sabe soltas, e me veio à mente quando vi a foto da aposentada que abraçou um poste para fazer alongamento, na orla de Ipanema, e o poste… veio junto! Caiu! Dá para acreditar?
Felizmente não houve vítimas. Mas fica a rubrica da irresponsabilidade, da péssima manutenção e do descaso que grassam pela cidade.
(by Ben)
(foto de Cornell Capa)
Uma arte dele… 








(foto de Ferdinando Scianna)
