Vai passar, Sarkô…
julho 29, 10

“Ela faz cinema, ela é a tal, sei que ela pode ser mil, mas não existe outra igual.” (Chico Buarque)

“Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus…” (Chico idem)
julho 29, 10

“Ela faz cinema, ela é a tal, sei que ela pode ser mil, mas não existe outra igual.” (Chico Buarque)

“Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus…” (Chico idem)
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julho 27, 10
Divinha, mano véio? Vai começá as homenage dos teu 100 ano, as mídia tão falando…
Já ponhamo um montão de recado nas porta do Brás e do Bexiga. Matogrosso e o Joca tão até refazendo a maloca. Táuba por táuba. Tá nos finarmente aquela belezura de palacete assobradado. Marcamo com a boemia por vorta das quatro e vinte. Ou quatro e meia, que tu sabe que de um relógio pra outro as hora vareia.
O Cibide é que num deu as cara ainda… Fumo lá e num incontramo ninguém. Diz os pessoal que depois daquela enxurrada que levô seus tamanco, o lampião e o par de meia de estimação, deu gorpe de sorte, ficô rico, forgadão. Mas vévi preso, coitado, arrodeado de grade, porteiro, alarma…
E tá certo do Cibide ficá nuirótico que a situação aqui tá muito cínica. Veneno, estriquinina e balas de revórve comendo sorto. As frexada agora é pra valê e os tiro ao álvaro tão pegando. Guarzinho terra de marboro.
Mas as festança pra lembrá teu centenário vai sê luxo só, véio. As mariposa tudo sonhando que tão rodando em vorta da tua lâmpida travez… Só num convidamo a Pafunça. A amizade com ela virô bagunça porque nem teu nome ela pronúnça.
E tu aí tem visto a Iracema, aquela que travessô a São João e o automórve pinchô ela? Fartava vinte dia pra infeliz si casá, tá alembrado?
Ói, já agarantimo vário Trem das Onze junto às otoridade. Tu sabe que os homi faz vista grossa e vévi da verborrologia da polimerdia, né? Intão foi só sortá a propinage e tá tudo nos conformi. Nóis num corre risco de ouvi os pessoal de Jaçanã reclamá que se perdê o trem só amanhã de manhã.
Num pode é saí aquelas baita de uma briga com pizza e brajola avoando pelos ar. Nem malandro passando a mão no fusil da luz da light pra ficá no escurinho. É ordi.
Sigura o coração, João! Vai rolá as festa! Saudade das nossa filosoporria… Tamo só contando os dia.
ARNESTO
Homenagem da blogueira a João Rubinato, mestre Adoniran Barbosa, no ano do seu centenário, com beijocas extensivas a Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, sua filha.
Queridos do blog, vocês não imaginam o que os primeiros versos de “Trem das Onze” me causam. Bate uma saudade tão gostosa dos bailes, da casa dos pais, dos amigos de então… Nooossa.
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julho 25, 10
Os mais belos votos ditos por um broken heart… Eu tentaria de novo.
I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And then a kiss, but more than this
I wish you love
And in July a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health
And more than wealth
I wish you love
My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free
I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
But most of all when snowflakes fall
I wish you love
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julho 21, 10

“Que bom estar só largamente! Poder falar alto connosco, passear sem estorvo de vistas, repousar para trás num devaneio sem chamamento! Toda casa se torna um campo…” (Fernando Pessoa)
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julho 19, 10

Queridos dinos, como é que vocês colavam? Escrevendo as fórmulas na palma da mão, na borracha, na carteira, em tirinhas de papel guardadas no estojo? Pescoçando a prova do colega? Observando os movimentos codificados do gênio da turma que, coitado, parecia sofrer de espasmos nervosos?
Quem nunca deu uma coladinha… Gerações. Há pouco, arrumando relíquias didáticas na estante, caíram “lembretes” do livro de Química do filho… Cheguei a ouvir sua voz adolescente, belo dia, depois de copiar trocentas vezes uma fórmula na tentativa de reduzir a letra: “Já decorei essa porrrrcaria!”.
Mas o fato é que a cola perdeu, digamos, a “inocência” primal… Ficou high-tech, sofisticou-se e passou a representar má fé, picaretagem, trama, golpe. Cultura nefasta a ser realmente combatida. Imaginem que mascar chiclete pode disfarçar a conversa em minicelular com um cúmplice fora da sala, uma caneta pode fotografar a tela da prova e por aí vai.
Li que a University of Central Florida, por exemplo, já declarou guerra à “evolução da espécie”. Da sala de monitoramento, um fiscal acompanha os gestos do aluno ao computador, direciona o zoom da câmera para o indivíduo e grava o “crime” em CD. Papel de rascunho? Com data estampada e favor devolver à saída.
Segundo o reitor, em 64 mil exames houve apenas 14 casos suspeitos. Sua Magnificência só não contava com a figuraça que, na contramão da tecnologia, supertatuou o braço e “inseriu informações” em sua body art.
É flórida… Ô raça.
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julho 17, 10
Dava um tempo com prorrogação nos Dungas, descontroles emocionais, pés frios, jabus e vuvus, quando leio essa crônica com sabor de infância, de bolo de chocolate e amor de pai gelol. Os dois personagens? Futuros Casillas, braços prontos para grandes defesas e corações abertos para beijos surpreendentes. Só pode. Confiram:
A PRIMEIRA VEZ
Aos 16 anos de carreira, Rafael Machado fica todo bobo por diariamente participar da formação de mais um jogador de futebol, craque ou não. É sua profissão. Já ensinou os princípios básicos do esporte para, num cálculo rápido, 500 crianças. Meus dois moleques, Raphael e Frederico, que completam sete anos hoje, entraram para essa lista e há 10 dias, inspirados pela Copa do Mundo e pelo próprio professor, decidiram montar o primeiro time de pelada de suas vidas, o Vamos Nessa, por coincidência, pura coincidência, o mesmo nome do meu primeiro time, em Santa Teresa.
- Como se escreve “nessa”, pai? – perguntou Rapha, enquanto desenhava com o irmão o modelo da camisa.
Tudo bem, dei um empurrãozinho no nome mas não interferi nas cores (vermelho, azul, verde água e amarelo), nem no escudo, o polegar para cima sinalizando o legal. A escolha dos parceiros do time também é deles, mas não vem sendo nada fácil.
- Realmente é difícil. A turma toda é boa de bola – atesta o professor.
Na semana passada, representando a equipe do A Pelada Como Ela É, assisti um jogo-treino dos craques mirins e comprovei a qualidade. A convocação era tão difícil que decidiram simplificar. E inovar. Vão montar o Vamos Nessa com todos os amigos: Lourenço, Sodré, Gabriel, os dois Lucas, os três Pedros, Dedé, Gavin, os dois Antônios, Gustavo, Tomaz, Phillipe, Joaquim, João, Dudu, os dois Felipes, Bernardo e Flavinho. Isso, o time terá 22 atletinhas, todos jogando ao mesmo tempo num espaço gigante. Os goleiros ficam para um segundo momento. Enquanto isso vão revezando.
- Mas o campo vai ficar congestionado – argumentei.
- O que é congestionado? – perguntou Fred.
Da beira do campo eu viajava vendo aqueles meninos correndo, carregados de pureza, sem saber nada da vida e achando tudo possível.
- Vou fazer dois gols de bicicleta! – prometeu Rapha.
- E eu, dois olímpicos! – emendou Fred.
A vontade era congelar aquele momento, cada frase, guardar todas num pote no fim do arco-íris ou no fundo do mar, num baú do Piratas do Caribe. Eu que sempre me achei meio Manda-Chuva, malandro de Santa Teresa, baqueado com aquele bando de Ben 10, meninos super poderosos, suando atrás de uma bola. Foi inevitável lembrar do meu Vamos Nessa, timaço com meu irmão Bruno, Tutuca, Robalo, Siri, Guará, Adãozinho e Vitinho. Mas minha viagem foi interrompida por um bate-boca entre a garotada.
- Pai, quem é melhor Pelé ou Iniesta? – perguntou Rapha transbordando ingenuidade.
- Pelé foi incomparável, eterno! – respondi.
- O que é eterno? – perguntaram Rapha e Fred, quase ao mesmo tempo.
A resposta estava bem ali na minha frente, cristalina, brilhando naqueles quatro olhinhos. Expliquei que eterno são os momentos que não esquecemos nunca, como o dia em que nasceram, a primeira vez em que falaram, andaram, sorriram, deram o primeiro chute, fizeram o primeiro gol e montaram o primeiro time de pelada.
(de Sérgio Pugliese, em seu blog A pelada como ela é, 17/7/10)

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