Se as vuvuzelas deixarem…
maio 27, 10

Já é Copa outra vez. Um Ganso me avisou. Igualmente, a foto no jornal de uma rua enfeitada. Tipo CD do Roberto lembrando que “então é Natal e o que você fez”.
Foi ontem, centrinho de Cascais, frio atípico, ao contrário do vinho, comemorávamos -- Kakás e Cristianos Ronaldos -- o sorteio dos grupos. Brasil e Portugal juntos, ó pá!
Mundial em solo africano… Rola uma dividida. Os céticos, entre patos, galinhas e esgoto a céu aberto, duvidam de benefícios concretos. Os otimistas orgulham-se de tamanha superação. Afinal, preparar a festa que “irá mudar o país, com brancos e negros juntos, unidos de verdade” exigiu fôlego de maratonista… queniano.
E os turistas de supertrens, supervias, conforto e organização high-tech de Copas outras? Levarão na esportiva um transporte público caótico? Que olhos terão para um país-sede de índices sociais preocupantes e ainda contundido pelo trauma do apartheid? A conferir.
Ouso apenas uma aposta. Afora a vibração -- “acordam com o futebol no corpo” -- , o que depender da espontaneidade e genuína musicalidade dos africanos, já é.
Meninos, eu vi. Pier de Santa Monica lotado. Festival de verão. A cada fim de semana, banda de um país. Em nossas cadeiras de praia, balançávamos ao ritmo de incrível percussão. Eis que belíssima africana e a filhinha, boneca de seus quatro anos vestida como a mãe, levantam e se empolgam na coreografia. Delírio na geral.
Envoltas em panos estampados e saudade de sua África, dançavam a milhas dali.
P.S.: O som era de Oliver Mtukudzi. Tudo.
(foto de Susan Michel)



(foto de Raymond Depardon/1960)
