Casas na planta (próxima inauguração do PAC)
março 10, 10

março 13, 10
CHOPIN , 200 anos

Noturno nº 20, por Claudio Arrau
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março 10, 10
Famosa rede de hotéis inaugura em Londres, ainda em março, o menor hotel do mundo. Na verdade, um trailer transformado em hospedagem de luxo, com serviço de quarto igual ao do convencional – TV, LCD, mesa de jantar, banheiro, cama de casal, jornal do dia e café da manhã entregues na porta… A ideia é que a cada dia o hóspede acorde em um ponto turístico da cidade. Amazing.
Mas vamos direto ao assunto. Os donos da rede se empolgam e desejam trazer a novidade para o Rio. Assinale a(s) resposta(s) certa(s) sobre as dificuldades que irão enfrentar, uma vez instalada a “unidade móvel”:
Além da dúvida entre tantas opções de beleza da cidade maravilhosa…
( ) Reboque do trailer inteiro, por meliantes, num choque de ordem para adiantar os trabalhos de “desmanche”.
( ) Furto parcelado de adereços: calotas, retrovisor, tapetinho, plantas, campainha do atendente, seu terno e cueca da Harrods, o versátil carrinho de malas…
( ) Deslocamento involuntário à primeira enchente, indo encalhar lá em Hard Shell. (traduz-se Cascadura)
( ) Azucrinação full-time de engolidores de fogo, limões ao alto, flanelinhas…
( ) Assédio de tarados, curiosos, pedintes, vendedores de mariola, sacolés…
( ) Forte cheiro de urina.
( ) Briga do casal de hóspedes quando da primeira bunda a caminho do mar.
Just in case de não vingar a novidade, sugestão da blogueira: não retornem o trambolho ao Reino Unido. Deixem como sede da Fundação Cacique Cobra Coral, aquela que a cuidadosa e sempre prevenida prefeitura do Rio contactou para que médiuns providenciem o aviso de temporais que detonam réveillons, shows, Copas, Olimpíadas…
Assim ao ar livre, em contato direto com a natureza, a margem de acerto da Fundação deverá aumentar. De quebra, seus membros ainda distribuem panfletos educativos psicografados. Afinal, a fé remove montanhas. Mas não de entulhos, lixos de bueiros, córregos, calhas…
(foto: Divulgação/Visit London)
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março 6, 10

Li que os índios Navajos, tão logo foram construídas as primeiras ferrovias americanas, depois que pegavam um trem e alcançavam seu destino, paravam por horas na estação e esperavam que seus espíritos, que ficaram para trás, chegassem ao encontro de seus corpos.
Então é que meu espírito ficou em Sintra, uma tela onde História e natureza se harmonizam em silêncio, em brumas misteriosas, em poesia.
Um lugar para se sentir…



E, claro, saborear doces travesseiros…

Para alegria de uma princesa… a Quinta da Regaleira.

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março 4, 10



Seria pedir muito que inventores de placas de banheiro fossem menos criativos? Por conta do exagero de suas genialidades e… hummm… de meus chopinhos, passo bons apertos. Cidadão adentra corretamente o recinto dele e eu mando um altivo “o que o senhor está fazendo aqui?”. Em outra ocasião, garçom supergentil bate à porta: “Madame, perdão, este toilette é masculiiiino!”.
Para completar, vou com certa frequência a um restaurante italiano em cujas portas de banheiro há fotos bem antigas, em preto e branco, do rosto do nonno e da nonna. O vovô tem bigodão e a vovó, um buço de responsa. Juro, gente, às vezes inverte… Se bobear, até de costeleta já vi aquela senhora. Mas agora fico esperta. Por alguns segundos, guardo distância regulamentar, ponho a mão no queixo e faço cara de turista no Louvre. Tem funcionado.
Observem, queridos do blog, a que nível de complexidade a coisa chegou: gírias australianas Blokes (garotos) e Sheilas (garotas) em restaurante de rede famosa; palavras celtas Fir e Mna em lounge badalado (ilustraram depois, a pedidos); garrafa e taça sugerindo pipiu e pepeca estilizados e minimalistas… Assim não dá.
Está de bom tamanho escrever MASCULINO e FEMININO, com ícones clássicos do gênero humano. Em português mesmo. Nada de M de men (ou de mulher?).
Nem de objetos em rosa, azul… A blogueira já é uma pastel. E pode ser daltônica, não?

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março 2, 10

Brasília não faz parte do meu mapa afetivo. Deveria.
Foi minha primeira residência ao casar (superquadra com vista para descampado sem fim); vivi os primeiros encantos da maternidade, pois que lá nasceram os dois “candanguinhos”; recebi meu diploma de jornalista pela UnB; exerci a paixão por sala de aula (belo dia, brigadeiro pai de aluno levou a turma para visitar uma tribo do Xingu, com direito a pouso em clareira na mata e inesquecível visão do que só conhecia de livros). Sem falar nas tardes de domingo na confeitaria Praliné, melting pot de sotaques cheios de saudade, nos ipês, nas garças, no céu lilás e na mística que envolvia a hoje quase cinquentona senhora de eixo monumental.
Por que então pulei feito criança ao saber que o marido já cumprira os cinco anos de permanência obrigatória e poderíamos voltar a Niterói? A que atribuir tamanho desafeto? E, passado tanto tempo, por que persiste a trava de umbu-cajá?
Tento assinalar o melhor clichê: “se Brasília fosse boa, Niemeyer morava lá”, “aquilo não é cidade, é pista de pouso e decolagem”, “Brasília é desumana, nem esquina tem”, “é uma prisão ao ar livre”, “lá todos são inocentes e todos são cúmplices”, “em Brasília quem não é da panelinha é da marmita”… Nenhuma das alternativas. São injustas para com a peculiar beleza da cidade e extensivas à gente batalhadora e honesta que a habita e constrói.
Porém, nos últimos anos, os podres poderes de Brasília vêm se encarregando de clarear e ratificar meu desencanto. Em sua esplanada está a mão que balança o berço dos maiores cretinos da história política brasileira. E aquele descampado sem fim que eu avistava já era o tal roçado de corrupção e mentiras. Faltavam somente áudio e filme.
Pena. Queria odiar Brasília com mais amor…
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