Em estado de árvore
Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem
de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho:
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios – e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
fios de teias de aranha. A coisa fica bem
esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
incompletude?)
(Manoel de Barros)
A aquarela que ilustra o poema é uma reprodução feita pelo ZERRAMOS em suas aulas de pintura. Chama-se “Meninas no campo”. Pela alegria que me passou, dei-lhe o codinome beija-flor de “Pé de confete.” Obrigada, Zerramos!
P.S.: Quem ainda não assistiu ao “Só dez por cento é mentira”, documentário premiado sobre a vida do poeta Manoel de Barros, sinta-se obrigado pela blogueira.



fevereiro 5, 10 às 5:55 pm
Cá de minha parte, prometo ir ver o filme do poeta. Sua poesia é linda. Dá vontade de ir morar lá nas terras dele, naquela simplicidade das coisas gostosas da vida.
Parabéns ao Zerramos. Tem o dom.
Bjs
fevereiro 5, 10 às 9:15 pm
Amei a pintura do Zerramos. Combinou tanto com a poesia. Só você mesma, tia.
Beijossss
E os blocos?
fevereiro 5, 10 às 10:28 pm
Pintura e poesia se completando.
Beleza!
Abs.
fevereiro 7, 10 às 6:33 am
Obrigado,Selma!
Zerramos
fevereiro 10, 10 às 10:04 am
Oi…
Lindos, pintura e poema… Tudo o mais já foi dito.
Vou obedecer à blogueira!
Bjão,
Adh