Domingo no campo

Aos domingos, quando os sinos tocam
de manhã, o que neles se toca é a manhã,
e todas as manhãs que nessa manhã
se juntam, com os dias da infância que
nunca mais acabavam, as casas da aldeia
de portas abertas para quem passava,
as ruas de terra batida onde as carroças
traziam as coisas do campo, os cães que
corriam atrás delas, uma crença no sol
que parecia ter expulso todas as nuvens
do céu, e a eternidade desses domingos
que ficaram na memória, com o ressoar
dos sinos pelos campos para que todos
soubessem que era domingo, e não havia
domingo sem os sinos tocarem a lembrar,
a cada badalada, que os domingos não
são eternos, e que é preciso viver cada
domingo como se fosse o primeiro, para
que o toque dos sinos não dobre por
quem não sabe que é domingo.
(Nuno Júdice)
A ilustração a giz de Zerramos é de quem sabe de domingos. E de manhãs.


fevereiro 25, 10 às 12:40 pm
Como sabe que eu sei de domingos,Selma!Sua alma realmente viaja.Estou até me devendo,por pura incompetência,uma crônica para os meus domingos às sextas-feiras.Explico-me,às sextas de tanta ansiedade pela ida às aulas de desenho após o almoço que me custa muito trabalhar,e engulo o almoço pelo nariz e saio com a mochila nas costas como tivesse 14,15 anos e adooooroooooo minhas aulas de desenho com minha mestra Stella,uma grega dubalacobaco!Tenho até nome pra crônica,”Sexta-feira é domingo” e algumas anotaçòes.Quem sabe um dia…eu deixe de ser preguiçoso.
Gostei do poema que o meu desenhim ilustra.
Beijus
Zerramos
PS:estou emocionado e ao fundo, no meu rádio,Amy Anyhouse se rassga no seu vozeirão.
fevereiro 25, 10 às 2:33 pm
Zé, você não existe. Sabe o que é? Por força da profissão, fiquei sensível para detectar coração de criança…
Beijocas
fevereiro 25, 10 às 2:51 pm
Selma , essa parceria com o Zé(metidamente , me faço íntima sem o conhecer)é mesmo fantástica! Ao abrir seu blog e deparar com a ilustração, me veio a lembrança de infância na fazenda ,com a imagem da lagoa repleta de patos deslizando mansamente sobre as águas… Continuo lendo o poema lindo, lindo e de repente a tarde chuvosa e sem graça de quinta feira tem prá mim um sabor de manhã de domingo.bjs
fevereiro 25, 10 às 3:04 pm
Mas não é mágico tudo isso, Francy?
Beijocas saudosas da amiga.
fevereiro 25, 10 às 4:14 pm
O comentário de Francy é na mosca, tia. As pinturas do Zerramos estão sempre completando os posts e vice-versa. O poema ficou mais bonito com a ilustração!
Beijossssss
fevereiro 25, 10 às 7:08 pm
‘brigadus Francy e Karina e Selma.E pode se considerar intima,Francy, pois coraçào de criança,( como diz a Selma)é como de màe:cabem todos!
De coraçào,
Zerramos
fevereiro 25, 10 às 9:34 pm
- A canção lindíssima do Chet Baker; a suave brisa dos versos de Nuno Júdice; a singeleza da ilustração do Zerramos, Selma, seu blog segue sendo uma lufada de ar fresco e benfazejo.
fevereiro 25, 10 às 10:06 pm
João Malato, bom é ter você passeando por aqui…
Beijocas.
fevereiro 26, 10 às 11:14 am
Minha querida amiga Selma Barcellos, estou cada vez mais apaixonado, “é o cara”, muito bom1
Paz e harmonia,
forte abraço
Caurosa