Pausa para retinas fatigadas
janeiro 20, 10
janeiro 22, 10
Recebi ontem uma modelo holandesa, agenciada no Brasil, namorada de um também modelo da vizinhança, amigo dos meninos, querendo aulas de português com alguém que falasse inglês.
Dispensável descrever a beleza absurda da moça. Se desejarem conferir, vão ao Caderno ELA de “O Globo”, do último sábado. Lá está a lindinha na capa, canto inferior esquerdo, em desfile no Morro da Urca.
Formada em Comércio Internacional, curso iniciado na Holanda, continuado na França e finalizado na Espanha, exigência de pais atentos, transcorridos alguns minutos de aula, diz ela: “Selma, eu adorrava aprender falar português elegante. Eu… como diz… querria falar “aliás”, “apesar de” e although , como diz -- “emborra?”.
E passamos a treinar várias situações em que usaria essas palavras. Daqui a pouco, a pérola: “Hummmm, hoje vai falarrr muito ‘aliás’ com namorrado.” Maior fofa.
Dever de casa?
1- Ler bastante jornal, superferramenta para aquisição de vocabulário e expressões.
2- Ignorar declarações do nosso presidente na imprensa falada, escrita e televisada por problemas de pronúncia, desprezo pelos plurais e concordâncias, comentários esdrúxulos sobre a esfericidade da Terra e submissão a maridos, além do uso contumaz de termos chulos -- como “babaca” e “merda” - para ficar nos mais recentes.
“Emborra” e apesar de se tratar do presidente, a aluna prometeu cumprir fielmente a segunda tarefa.
Muito bem, bela menina. Aliás… põe bela nisso.
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janeiro 20, 10
Ensolarada manhã de 2008, morando em Santa Monica, Califórnia, preparava feliz e faceira o café da família. De repente, sabem quando a geladeira dá aquele tremelique recebendo o santo das geladeiras? Ainda olhei de banda e pensei: “Nossa, tão nova e já dando tilt…”.
Sacaram, não? Os próximos milésimos de segundos foram para cair a ficha, um quadro da parede, pequenos objetos da estante, ver a água e o vinho balançando em seus recipientes e ouvir o marido dizer sua antológica frase, à porta da cozinha: “Selminha, tremeu a coisa.”
Ato contínuo, telefonar para o filho que mora lá há anos mas estava na Europa, descrever a cena, perguntar se o próximo passo não era o aeroporto e escutar: “Fiquem calmos, o primeiro a gente nunca esquece, liguem a televisão para saber da intensidade do quake, imprimam a lista das 100 (cem!) primeiras providências que devem ser tomadas, saiam em campo, fiquem espertos que abalos menores costumam vir em seguida e já já estou de volta.”
Nem é preciso dizer por que motivo rebobinei essa fita propositalmente abandonada nos desvãos da memória… Tampouco o que pensei ao escolher a foto. Sim, é Tóquio.
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janeiro 18, 10
Não sei se foi o jardim de domingo dos vizinhos que quando tem pouca gente (de três gerações) tem 30 e ontem apareceram com um livro do Loyola com lembranças que se você reconhecesse como suas, você seria jovem, médio ou dinossauro; se foi homenagear Adoniran Barbosa lá no blog da filha Maria Helena; se foi Melody Gardot mandando muito bem nessa musiquinha de dançar em frente ao espelho; se os galhos assim de maracujá do outro vizinho despencando no meu quintal; se o zizi das cigarras antes de levantar para a malhação… só sei que hoje eu acordei completamente cadê.
Cadê as tanajuras, os tatuís, as joaninhas, o anil clareando as roupas no varal, a coleção perfumada de figurinhas do sabonete Eucalol, os decalques de flores de enfeitar papel almaço nas provas “nota 10, com louvor” sobre os afluentes do Amazonas, o sinal do recreio, a sapatilha cor de rosa do ballet, as matinês de Tom & Jerry com a melhor amiga da infância? E o Biotônico Fontoura que eu lia biotonico porque ele deixava o Tonico duas vezes mais forte?
Cadê as domingueiras do clube, o baile de debutantes, eu dançando “Lover”, a coreografia do hully-gully, Trini Lopez, “Oh, Carol”, o chá-chá-chá e o chá de cadeira sem ninguém tirando a gente para dançar, o uniforme de normalista com estrelinhas na lapela, o casaco de banlon, o cheirinho de Pinho Silvestre dos galãs?
E lá ia eu tão romanticamente saudosa nesse delicioso exercício de arqueologia afetiva, quando me deparo com uma reportagem intitulada “Em busca da larica perdida”, onde a jovem rapaziada dá depoimentos sobre seus inesquecíveis lanches de infância. O mais votado? Cigarrinho Pan. Que isso, gente?
Cadê meu drops Dulcora, embrulhadinho no celofane, um de cada cor? Assim, exatamente como estão guardadas as lembranças en mi corazón de melón, melón, melón…
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janeiro 18, 10
Vale um confere em Melody Gardot…
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janeiro 16, 10
Aposto que, na hora em que você soube que Zilda Arns morreu, deve ter pensado: “Tanta gente ruim no mundo e logo ela foi morrer.” Em seguida deve ter se lembrado de Maluf, Collor, Sarney, Arruda… É normal, acontece com quase todo mundo.
Afinal, Zilda Arns transformava o pouco em muito, enquanto eles convertem o muito em pouco. Ela multiplicava, eles subtraem. Ela prolongava vidas, eles encurtam. Ela fará falta, eles estão sobrando.
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janeiro 13, 10
Meninas haitianas quando ainda encontravam força para sorrir no país da mais extrema miséria a que um ser humano p0de ser submetido.
Que as mãos do mundo juntem-se às delas.
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