O cheiro da sinopse
“Precious é negra, obesa e pobre. Tem 16 anos e vive no Harlem, em Nova York. Seu pai a estupra desde que ela é criança, sua mãe a maltrata, e sua filha, portadora de Síndrome de Down, é chamada de “Monguinha” pela família. Precious também não sabe ler e, durante a trama, descobre que é portadora do vírus da Aids, passado pelo pai. Ainda assim, Precious tem esperança.” (Prosa & Verso, 23/1)
“Preciosa” já recebeu 40 prêmios, estreia por aqui em 12 de fevereiro, está na disputa pelo Oscar, conta com o auxílio luxuoso (?) de Lenny Kravitz e de um nervo exposto chamado Mariah Carey. Para completar, a autora do livro que inspirou o filme declarou ter ficado muito satisfeita com o resultado, pois que encontrou no cineasta Lee Daniels alguém que mostrou “como a alma humana abriria suas pétalas.”
Geeeente, ao ler algo desse teor, um mecanismo de defesa qualquer tranca as portas de casa e dá sumiço nas chaves. Aliás, bloqueio semelhante impediu-me de ir sentir “O Cheiro do Ralo”… Empaquei geral com o título. Dizem que perdi um bom filme.
Instead, conto os dias para assistir ao documentário de Pedro Cezar – “Só dez por cento é mentira” - sobre Manoel de Barros, meu poeta querido. Chance zero de arrependimento. Manoel pegou delírio do verbo. Tudo.



janeiro 23, 10 às 8:27 pm
- Negra, obesa, pobre, estuprada desde criança pelo pai, maltratada pela mãe, analfabeta, tem filha com Síndrome de Down que é apelidada de macaquinha e, coroando tudo, tem AIDS adquirida do pai!
Poxa, esse autor caprichou na concentração de tanta miséria humana em uma única vítima. Assistir um filme desses – qualquer que seja o seu objetivo moral e o desfecho da história – é depressão na certa por uma semana. E ainda por cima com Mariah Carey ?!
janeiro 23, 10 às 9:01 pm
Olá, Selma. Posso estar errada, mas juntar as piores dores humanas numa personagem só me parece algo para faturar. A indústria de cinema americana é perita nisso. Salvo engano, levará o Oscar.
Não sei também se saio de casa para assistir. Mesmo falando em esperança.
Beijos.
janeiro 24, 10 às 9:50 am
“Nervo exposto chamado Mariah Carey”.
Hahaha! Boa, Selma!
fevereiro 6, 10 às 9:54 am
Meu website está em reforma, depois informo.
Maravilha seu blog, Selma.
-Posso deixar um pedido?
Escreva no mínimo três crônicas por dia. Palavras são brinquedinhos para seus dedos inspirados.
Obrigado por seus comentários generosos além da conta nas minhas conversas mineiras.
Exagerado abraço,
jcarmo
fevereiro 6, 10 às 10:41 am
Zé do Carmo, o cronista mineiro? Aqui? Trembão…
Apareça sempre, Zé. E promessa é dívida. Vou “cronicar” mais.
Beijoca da Selma.