CA 90405, a coisa
janeiro 20, 10
Ensolarada manhã de 2008, morando em Santa Monica, Califórnia, preparava feliz e faceira o café da família. De repente, sabem quando a geladeira dá aquele tremelique recebendo o santo das geladeiras? Ainda olhei de banda e pensei: “Nossa, tão nova e já dando tilt…”.
Sacaram, não? Os próximos milésimos de segundos foram para cair a ficha, um quadro da parede, pequenos objetos da estante, ver a água e o vinho balançando em seus recipientes e ouvir o marido dizer sua antológica frase, à porta da cozinha: “Selminha, tremeu a coisa.”
Ato contínuo, telefonar para o filho que mora lá há anos mas estava na Europa, descrever a cena, perguntar se o próximo passo não era o aeroporto e escutar: “Fiquem calmos, o primeiro a gente nunca esquece, liguem a televisão para saber da intensidade do quake, imprimam a lista das 100 (cem!) primeiras providências que devem ser tomadas, saiam em campo, fiquem espertos que abalos menores costumam vir em seguida e já já estou de volta.”
Nem é preciso dizer por que motivo rebobinei essa fita propositalmente abandonada nos desvãos da memória… Tampouco o que pensei ao escolher a foto. Sim, é Tóquio.



