Arquivo para novembro 7, 09
Ou em edição extraordinária
novembro 7, 09
Queridos, em 16/11, parto a abraçar os pequerruchos (filho e nora recém-casados) em Cascais, conhecer-lhes a casa portuguesa com certeza, passear um bocadito e, promessa é dívida, preparar-lhes as rabanadas de Natal de receita hereditária. Ser mãe é preciso.
Não se percam de mim, não desapareçam, porque “navegar” também é preciso… Penso até em postar algumas Caiscartas, direto da nova redação do blog, entre uma tacinha e outra, sob as bênçãos de Pessoa… Que tal?
Enfim, vou-me a girar “esse comboio de corda que se chama coração”.
Até.
Deixo-vos com NUNO JÚDICE, fantástico poeta português. Sou encantada por ele… Quem sabe esbarramos numa tabacaria, num sarau, numa ponte sobre o “macio Tejo ancestral e mudo, pequena verdade onde o céu se reflete!”…
TEMPO FLUVIAL

Se eu definisse o tempo como um rio,
a comparação levar-me-ia a tirar-te
de dentro da sua água, e a inventar-te
uma casa. Poria uma escada encostada
à parede, e sentar-te-ias num dos seus
degraus, lendo o livro da vida. Dir-te-ia:
“Não te apresses: também a água deste
rio é vagarosa, como o tempo que os
teus dedos suspendem, antes de virar
cada página.” Passam as nuvens no céu;
nascem e morrem flores do campo;
partem e regressam as aves; e tu lês
o livro, como se o tempo tivesse parado,
e o rio não corresse pelos teus olhos.

