Começando bem o dia
Chego adiantada à academia. Enquanto aguardo, leio jornal numa das mesinhas espalhadas ao redor da cafeteria com visão direta para as salas envidraçadas e abertas.
Sem tirar os olhos da leitura, percebo que o rapaz da mesa ao lado dá tchau, manda beijinho e faz sinal de positivo para o recinto da piscina coberta. Cena comum de corujice de pai com as proezas esportivas do filho.
Tempo passado, aula por começar, levanto e dou aquela olhadinha básica no rapaz e na razão de seu afeto. Gente, coisa mais linda… Nem consigo sair. Fico ali, dobrando o jornal feito origami.
Dentro d’água, segurando na borda da piscina, exibindo-se feliz para o rapaz e esperando aplauso está… seu pai. Cena de um teatro impiedoso que faz inverter papéis e pairar-se no limbo da desmemória.
Vontade de dar abraço apertado naquele rapaz… Emocionada, desejo-lhe um ótimo dia. Por tanto amor, ele já garantira o meu.


outubro 20, 09 às 3:47 pm
Belo e doído relato. Nem tudo está perdido, cara amiga.Cenas assim nos levantam. Tratar bem do seu idoso…
Parabéns pela crônica.
Beijos.
outubro 20, 09 às 7:12 pm
Selma, sua sensibilidade captou muito bem o momento. Gostei do que li e que o exemplo desse filho seja seguido por todos.
Bjs.
outubro 20, 09 às 7:35 pm
Clap, clap pelo texto, pelo amor e pela sensibilidade.
Beijo.
outubro 20, 09 às 9:39 pm
Li há tempos uma crônica de Lia Luft sobre esse assunto. Ela contava da experiência de 10 anos com a mãe se achando filha dela, pela ausência de memória.
Belo post, Selma. Simples e sentido.
Abs.
outubro 20, 09 às 10:13 pm
Oi Selma, voltei rápido, essa sua percepção foi fantástica, e eu junto com Alminha ,Thelma que há 1 ano emeio vemos nosso pai no hospital naquele esforço prá não parecer triste,dizer coisas boas ,e pricipalmente agradecer tudo que a nosso alcance fazemos por êle:beijos ,acolonia cheirosa ,o travesseiro macio ,o lençol trazido prá casa diariamente, mas vale a pena , cada médico e enfermeiro que entra ele diz orgulhoso:tenho a melhor família do mundo doutor ,por isso meu quarto é o mais chiroso do hospital! Você não imagina como tenho aprendido com meu pai ,durante essa longa doença, que as pequenas coisas :barba feita ,toalha macia , carinho, beijos , longas conversas que nos remetem ao passado ,fazem com que êle se sinta vivo e amado, e como dizem os médicos é isto que o faz viver1 Bem já fui longa demais , nessa fase de filha que se torna mãe com o maior prazer. bjs mil Francy
outubro 20, 09 às 10:49 pm
Pois volte sempre rápido assim! Ainda mais com um depoimento lindo desses.
Você, Thelma e Alminha podem dormir o sono “das justas”. Consciência tranquila de filhas maravilhosas… Não tem preço.
Beijocas!
outubro 21, 09 às 2:29 pm
Boa tarde!
Sabe o que me fez imaginar a cena? Que esse pai, tão bem cuidado pelo filho, deve ter tratado e ensinado com amor a esse filho, tanto que a lição está aí. Dois belos seres humanos… Aliás, três, afinal alguém de pronto percebeu e belamente nos contou.
Bjão,
Adh
outubro 24, 09 às 2:28 am
Que texto mais lindo… E me deu uma saudade do meu papai. Vou começar o dia de amanhã com seu texto. Obrigada, Selma. Por tudo!
Um beijo e se encontrar de novo esse rapaz e seu pai, na academia, diga que uma pessoa enviou um beijo para cada um.
Maria Helena
outubro 24, 09 às 1:40 pm
Já fiz meu comentário lá no blog da nossa querida MH !
Vc me deixou com lágrimas nos olhos! Maravilhoso “clic” de vida!
Daí,aceitei o convite da MH e vim visitar seu blog!
Me dá licença,que vou entrando para conhecê-lo!
outubro 24, 09 às 6:47 pm
Bem-vinda, doce Zinha! Só não tenho broinha de milho…
Beijocas e volte sempre!
Selma Barcellos
outubro 24, 09 às 9:14 pm
Como filha que perdeu sua mãe para essa doença (e que aprendeu muito com o convívio com nossos velhos-crianças), peço licença para, em vez de escrever um comentário sobre este post, deixar aqui minha emoção e algumas lágrimas.
As perdas que sofremos na vida acabam parando de sangrar um dia e deixam apenas uma cicatriz.
A situação que você relatou, Selma, aliada à delicadeza de seu texto, fez com que eu afagasse minha cicatriz. Com carinho e com saudade.
Obrigada e desculpe o desabafo.
outubro 24, 09 às 9:35 pm
Ô, “Proposital”, quem se emocionou fui eu. Obrigada por partilhar essa lembrança, ainda que doída, comigo.
Beijo muuuuito carinhoso.
Selma Barcellos