Menino do Rio, toma esta canção como um beijo!

Henrique Saraiva perdeu os movimentos da cintura para baixo, baleado num assalto em 97, saindo de um jogo do Flamengo, no Rio. Jogava futebol, tênis, velejava e surfava de vez em quando. Caixote do destino.
Da cadeira de rodas, passando pelo andador, pelas muletas, até a vergonha de ir à praia, quatro anos se foram e muitas ondas rolaram… Mas, quem tem um Marcos “Sifu” como amigo de infância, parafina da força, tem tudo. Com sua ajuda, Henrique começou a praticar kneeboard, surfe de joelhos. E foi a manobra. Guinada radical.
Resumo das baterias: Henrique melhorou seu condicionamento físico, largou o emprego na IBM, criou o Adaptsurf para deficientes nas praias da Barra e Leblon (já tem sete alunos de fé que treinam faça chuva ou sol) e não cobra nada porque “ver a moçada e a família emocionadas não tem preço”.
Os filhos da blogueira, desde moleques, não ficam um dia sem ver o mar e têm o surfe como religião a lhes moldar o caráter, a dar equilíbrio e integração supersaudável com a natureza e sua energia maior. Quando um deles nos vê, a mim ou ao pai, meio borocoxôs, vai logo falando: “Já foi até o mar hoje? Então vai.”
Definitivamente, não cabem preconceitos contra a rapeize do surfe. A galera é gente finíssima. Melhores que os monstros das marolas do lago Ness de Brasília. Aqueles que fazem o povo tomar uma soca por dia.
Henrique e Marcos, carinho do blog!


(fotos de Fernando Maia)


agosto 30, 09 às 12:49 pm
Tia Selma, surf é um dos esportes que mais te colocam perto de Deus. Exemplo de superação, o Henrique. Ótimo post.
BJS
agosto 30, 09 às 3:08 pm
Maravilha!Sucesso para o Henrique!Precisamos de gente assim.
Beijos.
agosto 30, 09 às 8:29 pm
Lindo post Mamy!
A superação do Henrique e a demonstração de amizade do Marcos são muito inspiradoras, são essas histórias que fazem a gente mudar nossa maneira de olhar a vida.
E aproveitando, já que o tema desse post é surf, abaixo um texto muito legal do Arthur Dapieve (O Globo) sobre os surfistas:
” Quer dizer, então, que surfista é burro? O cara vive pelas praias, muitas delas em lugares paradisíacos, como Hawaii, Tahiti, Bali e Fernando de Noronha, pega onda e mulheres espetaculares, mantém uma alimentação e um estilo de vida necessariamente saudáveis, entende o que é comunhão com a natureza, pois aprendeu a respeitá-la na prancha, sabe a importância da solidariedade com os colegas ou outros banhistas em momentos de aflição dentro d’água e, ufa, em alguns casos, ainda é pago para fazer tudo isso.
Esse sujeito é burro?! Bem, dizer isso equivale a afirmar que inteligente é o cara que sobrevive engravatado, olhos deteriorados diante do computador, respirando num sistema de ar-condicionado infestado de ácaros, se vira com as colegas semi-gordas (com barriga estilo borda catupiry) do escritório, bate um hambúrguer rápido, afoga em cafezinhos, só conhece a natureza pelo Discovery Channel, desconfia de tudo e de todos, em ambientes altamente estressantes e, ufa, em quase todos os casos, ainda ganha mal para isso.
Estranha sociedade a nossa.”
Beijos de filho!
agosto 30, 09 às 10:39 pm
Congratulo-me com Henrique e
seu amigo Marcos pela atitude exemplar . Sucesso e muita paz!
Abs.
agosto 30, 09 às 11:40 pm
Taí um esporte que eu gostaria de ter feito e me faltou estímulo.
Gente rara o Henrique. Beleza.
Abraço do seu leitor.
agosto 31, 09 às 5:57 pm
Queridos do blog, o Henrique, muito gentil, entrou em contato, contou que tem planos de um dia de aula para deficientes, em Niterói, e espera contar com a colaboração da galera do surfe de Itaquá. Show!