Hipótese sobre amor e tempo
(Cartier-Bresson)
PLANO
Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor que se despeja no copo da vida, até meio, como se o pudéssemos beber de um trago. No fundo, como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na boca. Pergunto onde está a transparência do vidro, a pureza do líquido inicial, a energia de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa da alma suja de restos, palavras espalhadas num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez, esperando que o tempo encha o copo até cima, para que possa erguer à luz do teu corpo e veja, através dele, o teu rosto inteiro.
(NUNO JÚDICE , escritor, poeta e ensaísta português, nomeado Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e Diretor do Instituto Camões, em Paris, recebeu os mais importantes prêmios de poesia portugueses.)


agosto 12, 09 às 8:09 pm
Selma, maravilha!!! Li e reli. Fantástica escolha. Delicadeza para assuntos de amor.
Beijos.
agosto 12, 09 às 8:30 pm
Prometi e voltei. Ótimo blog, Selma.
Não conhecia o poeta. Gostei de sua expressão sobre o amor e o tempo.
Abs
agosto 13, 09 às 11:05 pm
Selma, você, como sempre, descobre coisas maravilhosas, como esse poema do Nuno Júdice, para nos mostrar. Obrigada querida! Bjo.
agosto 14, 09 às 8:49 pm
A resposta não são os cacos que nos cortam as mãos. É a ressaca…
Beijos,
Tati.
agosto 15, 09 às 4:42 pm
Minha cara amiga Selma Barcellos, que poema maravilhoso:
“Volto, então, à primeira hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez, esperando que o tempo encha o copo até cima, para que possa erguer à luz do teu corpo e veja, através dele, o teu rosto inteiro.” Amei este final, vou ler para minha mulher, obrigado e parabéns pela escolha. Esse português poeta Nono Júdice, foi genial!!
Forte abraço
Caurosa