A glamorização da ignorância

O que move alguém a se debruçar sobre a oratória de Lula e compilá-la em livro? Eu apenas desconfio. Quem tem a resposta é o jornalista Ali Kamel, autor do “Dicionário Lula – Um presidente exposto por suas próprias palavras”, a ser lançado em breve, com 1554 discursos do homem, inclusive seus exasperantes improvisos.
Segundo reportagem de página inteira publicada em “O Globo”, empresa a que Kamel pertence, o livro contempla dois perfis de Lula: o do “comunicador sem par na história recente do país”, cujo talento de oratória e ligação com o “povão” são fatores que “naturalmente turbinam a sua estratosférica popularidade” e o do “político que simplifica propositalmente, por cálculo eleitoral, a complexa missão que é governar o Brasil. Comete erros frequentes de história – do país e do mundo – demonstrando desconhecimento de fatos corriqueiros. Usa expressões chulas e imagens constrangedoras. Muitas vezes, faz blague da própria ignorância e despreza quem possui conhecimentos maiores do que os seus”.
Para orgulho nacional, já que brasileiro adora um recorde, o livro também conclui que pelo período pesquisado – da posse em 2003, com breve interrupção, até 31 de março de 2009 – “Lula é o presidente que mais tempo do mandato passou em palanques” (o restante deve ter sido em viagens, lançando-se para o Nobel da Paz, suponho).
A reportagem finaliza afirmando que o “Dicionário Lula” é obra fundamental para quem quer entender o “fenômeno” – um homem e um líder cujos atributos peculiares para o cargo que exerce, mais os 70% de aprovação popular, lhe dão salvo-conduto para toda e qualquer estultice que proferir.
Queridos do blog, quando falta de conhecimento soa como espontaneidade, gafes passam por gracinha de estilo, metáforas imbecis viram sucesso de bilheteria, tudo regado a brindes diários de mentiras escabrosas, é preciso concordar com o “autobiografado” : “Estamos andando com muita solidez para encontrar o chamado Ponto G…”.
Em péssimos lençóis, claro.
Uma curiosidade: a que horas do seu dia você leria um livro desses?


agosto 18, 09 às 11:35 am
Pois é minha querida tanto se fala no ponto G mas muito poucos o conhecem seja em política, economia, paz ou simplesmente sexo… mas a falar é que a gente se entende, né?
Beijoca
agosto 18, 09 às 2:20 pm
Selma, livros sobre presidentes, brasileiros ou não, são praxe. O que espanta nesse, especialmente, é o que a reportagem aponta como tendo sido os motivos para a compilação dos discursos, convenhamos, deploráveis do nosso presidente.
Abraço.
agosto 18, 09 às 2:55 pm
Triste do país em que 90% do que seu presidente pronuncia serve para chacota e para atestar falta de cultura.Pior: que isso o aproxime do povo!
Beijos.
agosto 18, 09 às 5:14 pm
Tia Selminha, pretendo ler esse livro nos sábados à noite!HAHAHA!
Mas pensando bem, tem uma vantagem ter virado livro. Não escutar aquela língua presa dele… Vamos que resolvessem fazer uma gravação da coisa? Ninguém merece.
Beijosssssss.
agosto 18, 09 às 5:48 pm
Nossa Selma do Coração!!!! Isto que é desperdicio de papel, de energia, de recurso natural!!!
Não costumo ter preconceitos literários. Leio tudo..até Paulo Coelho e Dan Brown e consigo me entreter. Acho que tem momentos e momentos. Mas esta obra eu recuso. Que a primeira edição va para reciclagem urgente.
Bjs
agosto 18, 09 às 11:58 pm
Pois é, Selma,
não precisávamos de um livro para nos dizer o óbvio uLULAnte…
Beijos,
Tati.
agosto 27, 09 às 2:30 am
Querida Selma, eu comprei o livro logo que saiu e o considero imperdível! Vamos por partes: a) é livro de pesquisa, o que sempre é bem vindo para o futuro, para nossos netos; b) para jornalistas, é um excelente livro de consultas; c) para o leitor comum, é uma excelente ajuda: vamos lendo e recordando as barbaridades que aconteceram neste país desde 2003; d) rir é a arma que mais desmoraliza… e) Kamel é homem muito inteligente.
Um beijo,
Maria Helena