40 anos depois… Houston, temos um problemão!
julho 16, 09

A Terra está minguando!
julho 17, 09

A talco e lavanda. Comecei pequena. Tão infantil e exibidinha que, primeira apresentação, amiguinhas de mãos dadas, passo à frente, troncos flexionados para agradecer, quem vira de costas para receber os aplausos? Acertou.
Em dia de espetáculo, eu já acordava a mil. Contava os minutos para sentar diante do espelho da penteadeira de mamãe para que ela me maquiasse e me prendesse o cabelo em coque, acomodando fio por fio com gel, absolutamente fascinada por seu estojo de maquiagem, assim de rouge (ops, blush), batons cereja, sombras azuis…
Dentro da capa, pendurada de cabeça para baixo para ficar bem armada até a hora de vesti-la, brilhava a bailarina que mamãe mesma confeccionava, noites adentro, bordando o corpete com paetês, nacarados, pérolas, superpondo cada camada do tutu.
Durante anos essa era a maior emoção dos meus dezembros. Encontrar as colegas da academia, todas iguaizinhas, bonecas reproduzidas em série e, eufórica, atravessando a baía na barcaça, repassar oralmente com elas a coreografia. Chegar aos bastidores daquele teatro mágico, imenso, vestir-me no mesmo camarim por onde companhias estrangeiras de dança e suas grandes estrelas passavam, correr pela coxia sem deixar a ponta das sapatilhas fazer barulho e, boca de cena, respiração ofegante, entrar aos primeiros acordes do meu solo.
Gran finale, caprichar nos jetés, nas piruetas exaustivamente treinadas e, com aquela delicada reverência das bailarinas (agora de frente!), agradecer os aplausos que vinham do escurinho da plateia onde eu, em vão, num átimo, tentava avistar minha mãe para lhe dizer “bravo!” e lhe atirar todas as rosas do mundo, em retribuição pelo tanto que me fazia feliz e pelo que, invariavelmente, me diria na volta para casa: “Filha, você dançou tão bem! E sua bailarina era a mais bonita…”. Love you, mom.
Tais recordações vieram-me a propósito da reportagem de comemoração dos 100 anos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, quando artistas famosos contaram sobre estreias e sucessos ali vividos.
A blogueira, ainda que anônima, também sentiu-se parte da história. E, caçadora de si, escarafunchando o baú da infância, escolheu uma foto que “autografou” para os queridos do blog. :~D
Tempos felizes. A vida recendia a lavanda…

Publicado em Expressão | 13 Comentários »
julho 16, 09

Publicado em Expressão | 3 Comentários »
julho 15, 09

Gente, Bernard Madoff, o megafraudador, a partir de agora atende pelo numerito 61727-054 e está de casa nova. Mudou-se para o mesmo condomínio onde, um dia, habitaram VIPs como Al Capone e Ponzi. Chique de um tudo.
Não ficou muito satisfeito, preferia algo mais próximo a Nova York, e não na Carolina do Norte, além de ter achado o ambiente meio crowded, sem privacidade. Afinal, são 4.874 vizinhos. Esse Mr. Madoff…
Como o mundo inteiro sabe, meliante armou um esquema fraudulento multibilionário que arruinou milhares de investidores (inclusive a mim que tanto amealhei com meu salário de professora para sair de baixo da pirâmide) e destruiu entidades filantrópicas. Os primeiros investidores que entravam na ciranda eram pagos com o dinheiro dos últimos. Uma vez desaparecido o fluxo do dindim novo, a fraude ficou evidente.
A data dessa benesse de morar de graça, e só trabalhar se estiver disposto, expira em 14 de novembro de 2139. Como ele está hoje com 71 anos, seus advogados já iniciaram negociações com o síndico lá de cima.
Fica esperto, São Pedro! Essa raça vende geladeira pra esquimó. Já pensou Vossa Santidade na rua da amargura, leiloando aquela chave de ouro chiquérrima que carrega desde tempos imemoriais? Um olho na missa, outro no coroa.
De forma que é isso.
Publicado em Expressão | 5 Comentários »
julho 15, 09

(Foto de Anna Frenette)
O tempo
Goteja do telhado
Escorre pelo vidro
Embaçado.
A moça
Alheia às primaveras
Recolhe as tranças
Soma as horas
Espera.
Lá fora
(quase em seu dorso)
Algum verde ainda
E a flor encarnada
(em vão esforço)
Tatuam-lhe cor
Na silhueta encantada.
Inverno de 2009
Publicado em Expressão | 5 Comentários »
julho 14, 09

Parei com Fórmula 1 desde que a Tamburello parou com Senna.
Mas leio a respeito e sempre que vejo uma foto de Rubinho Barrichello, sinto pena, esse sentimento chatinho de se sentir por alguém.
Motivo de piadas (a última é que ele faz mais pelas tartarugas do que o Projeto Tamar), Rubinho não emplaca, servindo de escada para os Schumachers da vida alcançarem o pódio.
O que leva um esportista a aceitar o segundo plano nas equipes por que passa, ratificando, cada vez mais, não ter perfil de campeão, justo no país dos Fittipaldi, Piquet e Senna? Obstinação, não-sei-fazer-outra-coisa, bom mocismo, salário estupendo, deslumbramento com o circo social dos GPs? Ou mero TOC – Transtorno Obsessivo por Corrida? Ou a soma de tudo?
Na última rodada da Alemanha, Rubinho declarou que sua equipe, ao preteri-lo, induzindo-o a um pit stop mal feito, deu “um show de como perder um GP.” A equipe retrucou que ele anda paranoico com essa coisa de segundo piloto, além de estar sem contrato para 2010, e o chefe disse que “Rubens é importante para nós.” Hummm…
Sabemos que no cotidiano perde-se hoje para ganhar amanhã. Mas, nos esportes, quando a vitória se alicerça muito mais em chances matemáticas do que em talento… Perseverança, teu nome é Rubinho. Quem sabe, um dia.
Sinto pena. Tem tanto cretino no pódio da vida nacional…
Publicado em Expressão | 4 Comentários »
julho 11, 09

Levando-se em conta os 16 anos, o tipo de festa – formatura da escola – e o desejo de “chegar chegando” ao point, as adolescentes inglesas Sammy Burns e Megan Barton até que foram bastante criativas. Dentro de caixas da boneca Barbie, queridinha de infância, dispensaram as tradicionais limusines e, com parentes vestidos de entregadores, conseguiram acontecer.
Claro que penaram por meia hora, embonecadas dentro da réplica da embalagem feita por designer, com selo original, código de barras… Mas valeu o sacrifício das garotas. A festa parou para fotografá-las.
Dia desses, li que a Mattel – fabricante da boneca – à guisa de homenagem, transformou a chanceler alemã Angela Merkel em Barbie. Deu uma boa rosada na pílula e, num piscar de olhos, lá estava ela… como uma deusaaaaaa (leia cantando aquela musiquinha e take a look abaixo).
Imagem congelada, a ocupada ministra nem vai precisar experimentar a baba de caracol e o visgo de jaca que os cosmetólogos estão indicando como milagrosos para esticar a pele. Ao menos enquanto “autoboneca de si mesma”.
Daí que viajei. E se nós, ordinary women, mandássemos nossas fotos para a fábrica? Será que ela toparia nos eternizar como Barbie? Apenas 1 (um) exemplarzinho sem outras intenções que não a de enfeitar a estante do quarto, deixar para as netas, entrar naquele corpitcho… Simpático, não?
Ainda vou assinar a patente da ideia. Mas já comecei minha cartinha:
Querida Mattel,


Publicado em Expressão | 6 Comentários »
julho 11, 09

(Charge do dia- JB)
Na rede dos meus sábados, releio um dos contos fantásticos de Jorge Luis Borges - “Utopia de um homem que está cansado” - onde se passa o seguinte diálogo:
“_ Que aconteceu com os governos?
_ Segundo a tradição foram caindo gradualmente em desuso. Convocavam eleições, declaravam guerras, impunham tarifas, confiscavam fortunas, ordenavam prisões e pretendiam impor a censura e ninguém no planeta acatava. A imprensa deixou de publicar suas colaborações e efígies. Os políticos tiveram de procurar ofícios honestos; alguns foram bons cômicos ou bons curandeiros. A realidade, sem dúvida, terá sido mais complexa do que este resumo.”
Ao redor, a família interrompe minha viagem, nem tão surreal assim no que tange à fala do personagem borgeano, com comentários sobre a página de “O Globo” com a sequência de efígies (prontuário policial?) do time que irá compor o Conselho de Ética e brincar de constranger Sarney, na CPI da Petrobrás, antes de saírem todos para a pizza que o “vício da amizade” proporciona.
Olho para suas caras abjetas, observo quem tem o físico “do rolo” para cômico ou curandeiro, penso no quanto somos ridicularizados – nós, os que pagamos suas plásticas, farras e palácios – e em nossa inércia diante desse já banalizado jogo do – “desconheço, excelência, não ouvi, não vi, foi erro do contador” – chamado CPI.
Acoplada àquele circo de horrores, vem a última balela da língua ignorantemente presa de Lula, ao ser indagado sobre tudo isso que aí está: “Acho engraçado (sic) a ideia de que o presidente da República enquadra o Senado. Os senadores são inquadráveis” (sic).
Ah, Borges, político é raça “inquadrável”… Jamais conseguirá exercer ofícios honestos. Isso é coisa para o “otariado”. A realidade é, de fato, muito mais complexa.
Publicado em Expressão | 5 Comentários »
julho 9, 09

(Reuters)
No Torto não vai rolar briga. Lula estava pensando no Nobel, distribuindo camisa da Seleção… Mas na Casa Branca e no Eliseu, Michelle e Carla já aguardam os meninos com rolo de pastel.
Publicado em Expressão | 8 Comentários »
julho 6, 09
Publicado em Expressão | 5 Comentários »
julho 6, 09

O salto alto, indispensável à nossa elegância (e poder, segundo estudiosos da psique feminina), foi inspirado no andar das descoladésimas macacas babuínas que, durante o cio, andam na ponta dos pés para empinar o bumbum e atrair os machos. Você sabia? (voz grave de locutor, por favor)
Amo salto alto. Tem seu charme encarar a balada (e a concorrência) do alto de um 8 e meio, seja um Blahnik, um Louboutin ou uma versão nacional, a prix de banane, tão sexy quanto.
Admiro o estoicismo feminino quando o salto vira instrumento de tortura, fim de festa, quatro, cinco horas e flûtes depois. Ah, as mulheres deixando o salão… Entre o cômico e o trágico, caminhamos como a noblesse oblige, sem deixar a pashmina cair. Entramos no carro, desabamos.
Agora, participar de corrida de salto alto, como a que acontece tradicionalmente em Estocolmo, já é demais… Palmas, pois, para a sueca Elin Bjerre, vencedora dos 100 m de corrida rasa desse ano e dona do belo par de pernas aí da foto. Pudera.
As competidoras, além de prenderem os sapatos com fita adesiva para não perdê-los durante o trajeto, ao cruzarem a linha de chegada, em vez de antidoping, vão para a medição dos mínimos (!) 9 cm de salto exigidos.
O prêmio para tamanho sacrifício vem em forma de 10 mil euros. Que tal? Dá para tirar o pé do lodo… Se ele não entrar no gesso antes, claro.
Publicado em Expressão | 11 Comentários »
Copyright © 2010 - Selma Couri Barcellos | Entries (RSS) | Comments (RSS)
Proudly powered by Wordpress & brought by MATTERmídia marketing digital
