A LÍNGUA MÃE
Não sinto o mesmo gosto nas palavras:
oiseau e pássaro.
Embora elas tenham o mesmo sentido.
Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
Seria porque eu não tenha amor pela língua
de Flaubert?
Mas eu tenho.
(Faço este registro
porque tenho a estupefação
de não sentir com a mesma riqueza as
palavras oiseau e pássaro)
Penso que seja porque a palavra pássaro em
mim repercute a infância
E oiseau não repercute.
Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
Nela o menino que ia de tarde pra
debaixo das árvores a ouvir os pássaros.
Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseaux
Só tinha pássaros.
É o que me ocorre sobre língua mãe.
(Manoel de Barros, meu poeta querido, dono de uma poesia “única, inaugural, apogeu do chão”, como quis Millôr. O filme “Só dez por cento é mentira” , de Pedro Cezar, sobre a obra do poeta, acaba de ganhar o troféu de melhor documentário no Festival de Cinema de Paulínia.)



julho 21, 09 às 8:50 pm
Cara Selma, sou também leitor de Manoel de Barros. Sua poesia tem cheiro de grama, de rio, de pedra. Aguardo ansioso por esse filme documentário. De que forma chegará a nós? Avise-nos quando tiver a resposta.
Parabéns pela escolha.
RR
julho 21, 09 às 10:05 pm
Gosto tanto de francês que não consigo não gostar da sonoridade de suas palavras. Acho oiseau mais doce do que pássaro que soa forte por causa do acento.
A poesia é linda. Traz infância. E Manoel de Barros é um senhor poeta.
Beijos para você.
julho 22, 09 às 12:10 pm
Tia querida, passarinho (SOLTO!) é bonito de qualquer jeito. Esse da foto então é uó.
Sei dessa sua antiga paixão por Manoel de Barros. Recentemente fiz um trabalho na faculdade sobre um poema dele…
Beijossssssss.
julho 22, 09 às 3:54 pm
Olá querida Selma Barcellos, os poemas do mestre do pantanal Manoel de Barros, são sempre geniais, verdadeiras orações em homenagem a natureza. Lindo, parabéns pela escolha.
Forte abraço
Caurosa