Estante de mim

Ao me deparar com a inusitada estante, brinquei de arrumá-la.
No topo, somente um livro. O que fez minha cabeça num daqueles clear days that you can see forever. O que me inquietou, sacudiu o ponteiro da bússola e do viver cartesiano. Sim, ele mesmo, o Quixote de jamais abrir mão do sonho e de enfrentar moinhos.
No lado esquerdo do peito, os que me viram crescer e de onde brotavam, nutridas por múltiplas nascentes, as melhores fontes de se beber - a do sítio de Lobato, das veredas do Rosa, da Pasárgada de Bandeira, do rio de Pessoa…
Ali pela altura da fome, os que me saciaram e até mesmo os que desceram mal - indigestos obrigatórios da escola, leites derramados, alquimias com pouca substância de chef mago e barrinhas de autoajuda que apenas enganaram o estômago. Banidos da dieta, valeu prová-los.
Nas pernas, os que foram pilares de minha formação cultural, ética e espiritual, os que me fizeram captar a vida em sua pluralidade e caminhar em frente. Aqueles que quase (senão perderia a graça) me deram a resposta para “viver, a que será que se destina?”.
Ah, nos pés cansados, edições “havaianas” -- leves, refrescantes, alívio imediato e nem cheiro deixaram…
Por fim, ao alcance de meus abraços, os que me perpetuaram em sua escrava e pelos quais tenho zelo, até ciúme, e me pego a relê-los sem mais nem porquê. Passagens secretas, só eu tenho a senha.
E os queridos do blog? Como arrumariam essa estante? Fico curiosa por saber ao menos de um livro que lhes fez (ou faz) as delícias…


julho 27, 09 às 10:20 pm
O livro que me marcou? “Os Miseráveis”, de Victor Hugo.
Eu o li adolescente e vim a relê-lo adulto, em nova e mais aprofundada visão.
Bjs.
julho 27, 09 às 11:34 pm
Sem hesitar: Dom Casmurro.
E já perdi a conta de quantas vezes voltei a ele.
Gostei muito desse post, Selma.
RR
julho 28, 09 às 10:51 am
Que estante criativa, Selma!
Sem medo de ser feliz: a obra inteira de Monteiro Lobato me marcou muito. UM MESTRE.
Beijinhos.
julho 28, 09 às 11:52 am
Siddhartha, Herman Hesse!
julho 28, 09 às 8:09 pm
Minha tia, meu livro inesquecível, embora eu saiba que você não gosta dele e de nenhum do PC, foi Brida.
Sabia que o resumo que li de Dom Quixote achei liiiindo? Você tem razão.
Beijosssssss.
julho 29, 09 às 4:25 am
Que estante maravilhosa! Isso existe ou é virtual? Eu amei.
Hoje fiz essa perguntinha: qual o seu primeiro livro? Lobato foi quase unânime. Selma, posso copiar a sua imagem e colocar em meu blog, fazendo a mesmo pergunta? Dando os créditos, claro, o seu blog é muito bom. E se a estante é verdadeira, quem foi seu criador?
julho 29, 09 às 10:54 am
Olá, Maria Helena! A estante é virtual sim. Encontrei-a na lista das estantes mais bizarras do mundo, fugindo ao padrão caixa de fósforo. Não havia créditos, apenas (foto:reprodução).
Fique à vontade.
Beijocas.
julho 29, 09 às 9:08 pm
Pêndulo de Foucault de Humberto Ecco.
O meu livro.
Bj
julho 30, 09 às 12:39 am
Tia, agora é minha vez de pedir. Adorei o texto!!! Lindo mesmo, me inspirou. Posso brincar também e fazer minha própria estante?
julho 30, 09 às 12:47 am
Por favor! Vou ficar superfeliz e curiosíssima. Há muito saquei que você tem estofo! Dedos às teclas!
Beijocas saudosas!
julho 30, 09 às 6:29 pm
Olá querida Tia Selma, a estante não é nada bizarra.Que arrumação mais poética, muito lindo. Se eu fosse fazer uma arrumação, certamente, na cabeça da estante estariam os grandes poetas.
Paz, harmonia e muita inspiração
Forte abraço
Caurosa
julho 31, 09 às 2:20 pm
Mas que lindo post!
Minha estante é mutável e cabe de tudo. Tem Saramago, Machado de Assis e até Paulo Coelho (não tenho preconceitos literários). Quanto maior a mistura, melhor a estutura, não..
Bjocas