Nada é para sempre

Notícias fresquinhas da redação do ‘Planeta Diário’ dão conta de que Luluzinha e Bolinha, meus heróis de infância, ganharam versão ‘teen’. Repaginaram meus queridinhos ao sabor do mercado editorial adolescente.
Resumindo o new look: Lulu ficou com os olhões arregalados dos mangás japoneses, uma escova progressiva e agressiva implodiu-lhe os cachinhos e o indefectível vestido vermelho foi trocado por modelitos desenhados exclusivamente para ela, sob consultoria de estilistas. Bolinha, maior fofo (mesmo tendo criado o clube onde ‘Meninas não entram’), emagreceu e hoje toca guitarra numa banda de rock. Alvinho virou um baixinho invocado, fera em esportes radicais. Glorinha é antenada em moda e Aninha em engenhocas tecnológicas. Alguns meninos do ‘Clube do Bolinha’ só participarão via email e o detetive Aranha, que era o próprio Bolinha, aparecerá apenas em flashback. As bruxinhas Alceia e Memeia, além do acento, perderam a concorrência para Harry Potter. Não existirão mais. Só não recebi notícias de Plínio, o riquinho esnobe da turma. A crise econômica deve ter liquidado com ele.
Leitura, mesmo de HQs, é sempre um bom investimento. No mínimo, crianças e jovens vão memorizando a nova grafia das palavras. Resta saber se os autores da atual versão deixarão as histórias gravitando em torno dos fatídicos shopping centers, da moda despersonalizada imposta pela mídia, das letras rasas da maioria das bandas de rock e da comunicação cifrada do orkut. Aí será outra história. Era uma vez… mesmo.
Já fiquei cabreira ao saber que Bolinha emagreceu tanto. Ele bem que poderia ter crescido ainda meio gordinho e, de forma criativa, os autores iriam abordando o terrível bullying ou o benefício de uma alimentação menos junk, com saúde e vaidade caminhando juntas. Sequer ouvi falar que algum deles terá preocupações ambientais… Inocência a minha, né? Desde quando o politicamente correto faz vendas bombarem e vira fenômeno editorial?
Vou ficar de olho. Porque, sinceramente, a ver meus heróis morrerem de overdose de ignorância nos gibis, prefiro sabê-los no Casa de Repouso aí da foto, onde já relaxam seus corpitchos o Batman, o Hulk e o Super-Homem. Exauridos por façanhas criptoníticas, mas vivendo muito bem com a modesta pensão que recebem. Coisa para super-heróis, claro.


junho 5, 09 às 10:21 am
Tia, não li muito a Luluzinha e o Bolinha. A Mônica eu lia direto. Mas algo me diz que era melhor deixar como estava. A carinha deles era o maior barato.
Beijossssssss.
junho 5, 09 às 12:23 pm
Viver de aposentadoria? Se Super-Homem fosse brasileiro, nem ele.
Selma, fico aguardando o que acontecerá com Raposo, um dos meninos da turma. Você sabe?
Abs.
junho 5, 09 às 3:03 pm
Que delícia. Parabéns.
Bj.
junho 6, 09 às 6:32 pm
Se existe algum super-herói que precisa de uma repaginada é o Super Homem. Quem inventou essa cueca por cima da calça não tinha o menor senso estético…
Beijo,
Tati.
junho 6, 09 às 8:40 pm
Pois é minha cara Selma Barcellos, é que “me alfabetizei” lendo gibi e jornal velho. Aprendi a “ler o mundo” nas páginas do Ultima Hora, Correio da Manhã…Fantasma, Brukutu,Batmam, The Flash, Recruta Zero… e por aí vai. E com muito prazer, será que as novas gerações estão experimentando o mesmo prazer?
Forte abraço
Caurosa
junho 8, 09 às 5:06 am
Diverti-me bastante a ler o teu texto.
Claro que eu prefiro os super-heróis como os sempre conheci desde a minha infãncia e adolescência, nada de modernizações, para quê tirar o gozo das lembranças?!
Fica bem.
PS.: Só uma coisinha… Eu sou mulher. :~D
junho 8, 09 às 8:20 pm
Ainda aqui regressei e a divertir-me ainda mais!!!
Explicações lá na Árvore quanto ao género. De hoje.
Amanhã é outro dia, logo se verá.
Beijo