Chega mais, Sherlock!

Vivesse o bom e velho Sherlock na Londres de hoje, praticamente a casa do Big Brother, uma câmera em cada esquina, por certo estaria sublocado ou desempregado. Deprimido até.
A salvação seria mudar-se para Brasília, levante garantido na autoestima e na carreira do mestre dos enigmas singulares. Afinal, onde mais ATOS SECRETOS perpetuam-se insolúveis?
Ah, ele iria se esbaldar… Tem mordomo, castelos, falso intelectual, disfarce de peruca, redes de família, dinheiro em cuecas, inquéritos onde se responde apenas movendo as sobrancelhas… E ainda tem o Chefe que não veio para esclarecer e sim para confundir, aliviando todos os suspeitos. Delícia!
Só não o aconselharia a trabalhar em outro local. Primeiro porque tem serviço acumulado. Mais de 500 anos. Segundo porque a concorrência tem andado menos inspirada, sendo desnecessário o mestre gastar o método científico e a lógica dedutiva que o celebrizaram.
Recentemente, por exemplo, no Rio de Janeiro, um dos ladrões que assaltavam uma van deixou, na hora da fuga, in situ, sua mochila contendo foto, endereço e… currículo. (Vai um remake do Ladrão de Casaca, Hitchcock? Agora é de Currículo!)
Tempinho atrás, em São Paulo, três ‘entregadores de cestas’ tentaram passar pela guarita de um condomínio de luxo. Nos uniformes e na lataria da van estava escrito: ‘Impório Santa Maria’. Palmatória neles!
Sem falar dos bandidos que cavaram túnel mirabolante e saíram no meio do pátio do presídio.
Aliás, fico pensando o que faria o povo se a malta do Congresso, fugindo de Sherlock, cavasse um túnel e saísse no meio da nossa praça da paz celestial… Elementar, não, meu caro Watson?


junho 22, 09 às 10:13 pm
(Pequeno cenário: Aqui é tarde, as pessoas de bem dormem, só os loucos escrevem. Um dia destes vou ser corrida do meu prédio pelas gargalhadas que me provocas. Nem o ladrar do Gaspar corta a noite de forma tão insólita…)
Bom. Se o caso não fosse verdadeiro e por isso sério, apetecía mesmo dizer que incompetência!!!
Mas depois o outro lado: É que nos tempos que correm qualquer um é Sherlock. E qualquer Sherlock tem um preço para se juntar à banda. Ou direi, bandalheira?!…
Coitado do Sir… Deve estar às voltas na tumba.
Beijo para ti. De uma estação para outra.
junho 22, 09 às 10:39 pm
Tragicomédia esse país. Suponho que nem Sherlock desvendaria tudo que há. Iria ficar fazendo análise frustradíssimo!
Bjs.
Laura
junho 22, 09 às 11:37 pm
Olá minha cara Selma Barcellos, os desmandos, os crimes contra o povo e o patrimônio público, as armações pelos lados do planalto central são tantas, que se o pobre Sherlock aportasse por lá, certamente, ficaria estafado de tanto investigar e nada provar, pegaria o seu “boné” e voltaria rapidinho para Londres.
Paz, harmonia e para você
forte abraço
Caurosa
junho 23, 09 às 10:54 am
Muito bom!
A verdade é que nossos ladrões são tão pés-de chinelo que qualquer Mário Fofoca pode dar uma de Sherlock Holmes.
Beijos!
junho 23, 09 às 3:05 pm
Infelizmente, nossos políticos dariam a volta no Sherlock, tia Selma.
Eles têm um inesgotável poder de mentir e enganar. Pena.
Mas se aparecerem na nossa praça…
Beijossssss!
junho 24, 09 às 8:27 pm
Deixo um beijo.
(Mania minha: Não é meu hábito comentar textos que já comentei. Mas hoje reparei na imagem. Clones?)
junho 24, 09 às 10:07 pm
Gasolina, é uma obra em silkscreen de Tristan Rault, printed por Luciano Muruato, em tecido. Está à venda no Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. Fantástico trabalho de inversão, não?
O Tejo ‘seca’ ao calor implacável ou é uma bela metáfora?
Beijos.
junho 26, 09 às 3:36 am
É fantástico sim e agora que me disseste qual o material em que é reproduzida ainda mais gosto tomei.
Quanto ao Tejo: é um Rio de humores, acha que é mar, tem maré baixa e alta e consoante, lá leva o cacilheiro de um lado ao outro destas duas margens que embora se avistando… Não podíam ser mais diferentes.
PS.: E também porque na semana passada estiveram 37º, 38º… Que calor!
Beijo a ti.
A esta hora o Rio é prata…