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O post do poste
junho 16, 09

Tarde luminosa de outono, varanda do restaurante, olhando o mar, interrompo a garfada, incrédula.
Indivíduo bem vestido (não era mendigo, doente mental, nem bêbado, pois o vi caminhar normalmente) abre a braguilha e faz xixi no poste. De frente para todos. Despudoradamente.
Uns fingem não ver, outros balançam a cabeça, alguns riem, garçons acostumados à rotina da cena não param seus serviços e os guardas da cabine próxima, nem aí.
O bárbaro finaliza o ato e sai caminhando com a naturalidade com que chegou. Sem pressa. Se bobear, assobiava. Seu gesto não é inusitado, faz parte do cotidiano da cidade.
Bateu um desânimo tão devastador… Caiu a ficha de que, sem retorno, estamos perdendo o respeito por nós. Entediados, passivos e complacentes, andamos esquecendo o sentido de indignação. Desaprendemos de cobrar direitos e exigir punição para os que infringem códigos mínimos de civilidade e ética. E máximos também. Afinal, há muito servimos de postes para nossos políticos.
Sem falar na saudade de tempos mais delicados, quando os homens românticos (jamais os mijões!) abraçavam-se aos postes, fazendo-nos declarações de amor, dançando e cantando na chuva…
O toró hoje é de outra natureza. Chove falta de vergonha. Brotam caras de pau.

