Traduzir-se
(foto: Stefan Nielsen)
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?
(Ferreira Gullar)



maio 24, 09 às 11:50 pm
Ah, as máscaras… A segunda face, a duplicidade do ser humano… Belíssimo poema do Gullar. Perfeita a fotografia.
RR
maio 25, 09 às 12:22 am
Não conhecia a poesia de Ferreira Gullar. Perfeita tradução do que somos.
Bjs.
maio 25, 09 às 8:44 pm
Selma, embora goste de poesia,hoje a salva de palmas vai para a foto. Maravilha!
Abraços.
maio 27, 09 às 12:55 pm
Desconhecia o poeta, santa ignorância… me perdoe.
Lindo e verdadeiro, muito.
Bjs.
maio 28, 09 às 12:11 am
Ah, como eu gostaria de ter esse dom!
Beijo.
maio 28, 09 às 9:32 am
Lindo! Foto e poesia.Expressa realmente a dualidade do ser humano,traduzi-la é,sim uma arte!
Bjo.