O céu é o limite
(Reza)
Que Orkut, MySpace, Facebook, Twitter que nada. Meu reino por uma happy-hour na janela, consumindo imagens, sons e aromas sabor vida real, trocando dedinho de prosa com quem se quer verdadeiramente bem, olho no olho, ouvindo até o tumdumdum do coração interlocutor…
Cruel ter de se comunicar com limite de palavras (para quem as ama), ainda por cima correndo risco de desativar os neurônios que não desertaram nesses tempos enlouquecidos. Logo eu, de infância com cadeiras na calçada e vizinhança trocando figurinha até o toque de recolher do segundo bocejo.
Assaltos e balas traçantes abortam o roteiro do meu prosaico desejo? É fato. Vou me tornar um bicho-do-mato virtual por não fazer parte da humanidade que conecta e desconecta? Não importa. Perco o jogo para o mercado. Abaixo a tirania das novidades tecnológicas que nos deixam permanentemente insaciáveis, bico aberto como pardais no ninho.
Sabem qual é a última do Google? Vamos identificar as constelações pelo celular. Era só o que me faltava. Logo eu, menina de olhar o céu da janela, de ouvir estrelas e pisar nos astros. Distraída…



maio 11, 09 às 11:23 pm
Bons tempos… Mais sinceros os diálogos, Selma.
Abraços.
maio 11, 09 às 11:26 pm
Realmente, ver estrelas pelo celular? O ser humano anda complicando demais a vida.
Abraços, minha cara.
maio 11, 09 às 11:47 pm
Realmente! Nada como um papo
tête-à-tête.
Abs.
RR
maio 12, 09 às 8:03 am
Os olhos são as janelas da alma, pois não? É só para sabermos como anda a alma das nossas gentes…
Também gosto de as espiar sobretudo quando o azul ´se espreguiça.
Bj.
maio 12, 09 às 9:12 pm
Professora, que delícia de post!
Me deu vontade de ver a vida e a banda passarem da janela…
Beijocasssssss.
maio 12, 09 às 9:55 pm
Pois é minha cara tia Selma Barcellos, eu que também fui menino da beira da calçada e ouvir as estórias de assombração, mula-sem-cabeça, brincar de represa na rua depois da chuva de verão, roubar manga no terreno baldio, ouvir o galo cantar de madrugadinha…hoje só resta ouvir o transito louco da janela cheia de grade no meu apartamento. Que tristeza!
Dias melhor virão, um dia vou morar lá na serra e ver a cidade bem de longe, bem de longe…
Paz e harmonia para você
forte abraço
Caurosa
maio 13, 09 às 4:28 pm
O entorno que emoldura a foto, revela a simetria da forma e a invasão da luz por entre as frestas. Tal qual acontece quando o olho no olho propicia os verdadeiros encontros, aqueles em que a gente se reconhece no outro
e identifica infinitas possibiliades…
bjs.
Carmen
maio 13, 09 às 7:33 pm
Ah, Selma! Que bom que não sou a única a sentir esta opressão virtual…
“Abaixo a tirania das novidades tecnológicas que nos deixam permanentemente insaciáveis, bico aberto como pardais no ninho” – adorei isto. É exatamente o que penso.
Bjs
maio 14, 09 às 11:17 am
Amei a foto!