Chama o Fontoura!
Sempre curti publicidade e propaganda. Desde os tempos da faculdade de Jornalismo, et pour cause. Era das que sentavam para os comerciais e bebiam água durante os programas. Campanhas do Olivetto, então… Tantas vezes fossem veiculadas, lá estava eu, fascinada pela criatividade de seus textos, pelo bom gosto dos filmes e trilhas inesquecíveis.
Hoje, mesmo a televisão sendo apenas o tempo de uma básica zapeada que me forneça linhas de diálogo com minha adorável secretária do lar, salta aos olhos, literalmente, que os anúncios bem elaborados perderam força. Nunca mais “O primeiro soutien a gente não esquece”. Culpa do silicone. Roubou a naturalidade e a inventividade até dos homens de criação…
Claro que restam vestígios de vida inteligente, sobretudo na mídia escrita. Tudo de bom a historinha do publicitário que ao passar por um cego das ruas de Paris com a placa-clichê “Ajudem um cego” e pouquíssimas moedas no chapéu, foi lá e escreveu: “É primavera em Paris e eu não posso ver!”. Não houve mais quem ficasse indiferente e deixasse de ajudar o homem.
Recentemente, um anúncio que li e me arrancou boa gargalhada, ainda que sobre algo “esquisito” e suando na esteira da academia, foi o de uma empresa de planos funerários, comemorando 25 anos de venda: “Incrível chegar onde chegamos perdendo um cliente atrás do outro.” Mais criativo, impossível. Olivetto assinaria.
Outro exemplo que me ocorre, fã que sou do criador e da criatura, foi a sutil propaganda feita por Verissimo, ao final de uma crônica sua, do recém-lançado livro de Chico Buarque:
“Ainda não li e já gostei do novo livro do Chico. Gostei até do título “Leite Derramado”. Acho que quando a nossa geração tiver de fazer um balanço dos seus merecimentos e misérias para ser julgada, poderemos todos usar esta credencial: fomos contemporâneos do Chico Buarque. E exigir tratamento especial.”
Depois dessa, mais três sessões de análise para trabalhar meus alter egos: ser um Chico para merecer elogio de tamanha envergadura ou um Verissimo para mandar tão bem.



abril 20, 09 às 3:35 pm
Nós por cá dizemos, “Não vale ap ena chorar sobre leite derramado” . A coisa é mesmo assim. A geração do leite derramado…. cadê onde param as l´´agrimas que nunca se soltaram? Sumiram? Se calhar andam por aí… neste corre- corre de asneirada qque o mundo tomou.
Beijo.
abril 20, 09 às 4:09 pm
Professora, já que gosta tanto do Washington Olivetto,leia o livro de Fernando Morais- “Na toca dos leões”. É uma reportagem-biografia de Olivetto, inclusive dos meses de seu sequestro! Vale a pena!
Beijosssssssssss.
abril 20, 09 às 4:27 pm
Karininha, claro que já li! Ótimo acompanhar a trajetória dele e da DPZ, ícones para mim.
A dolorosa parte do sequestro, contada sem melodrama e de forma realista,impressiona mesmo.
Abraços, querida.
abril 20, 09 às 6:51 pm
Selma,
Você é jornalista??? Eu também!!! Que bacana!
Acho que o problema da publicidade atual é calcar-se na valorização do conceito ter. No lugar de criatividade, há muita apologia sobre o “sou porque tenho. se você não tem, não é”.
Claro que vender pressupõe ter, mas acho que há formas melhores de vender. Atualmente, temos muita superficialidade.
O conceito da propaganda do primeiro soutien era a transformação da menina na mulher. Hoje o que prevalece é: compre para crescer. Muito triste! Ou eu que sou ingênua e sonhadora…
bjs