Alto flanelinha!
Uma coisa é tentar estacionar nosso Fusca, dois pés e quatro rodas no chão, três espelhos para o que for e vier, mais o onipresente flanelinha agitando os braços com os “vem!” , “desfaz!”, “acerta!”, “deixa solto, dotô!” e “vai uma ajudinha pras crianças?” de praxe.
Outra é estar num avião a jato prestes a estacionar num dos movimentados aeroportos da Flórida e o piloto… morrer em pleno ar. Para tudo, vocês não estão entendendo: o piloto morreu!
O fato aconteceu, recentemente, com o americano Doug White e sua família, únicos passageiros da aeronave. Só deu tempo de pedir à mulher e às meninas que começassem “a rezar forte”, lembrar-se de que, vinte anos atrás, ele tirara o brevê- carteira de motorista de avião- e ter a certeza de que não lhe serviria para nada, pois nunca dirigira um bólido daqueles. Aliás, mal um teco-teco. O tipo de voo não permitia uso de piloto automático (que tal?) e o único objeto que Doug sabia manusear era o rádio. Daí que se comunicou com os controladores do sul da Flórida, que também não sabiam como orientar para aviões King Air, mas que imediatamente contactaram o melhor flanelinha do norte do país. E diante do painel de controle, que já assusta pelo conjunto da obra, Doug foi obedecendo aos comandos de “aperte este botão!” , “torça esta alavanca!”, “atenção aos flaps!” e “seja o que Deus quiser!”.
E Ele quis, em sua infinita misericórdia. O avião aterrissou em segurança. Só não teve ninguém para bater palmas para o herói porque a patroa e as filhas rezando estavam, rezando continuaram, imagem congelada.
Tio Obama bem que poderia condecorar Doug com uma “Medalha de Calma ao Mérito” e contratar aquele flanelinha abençoado para dar plantão na Casa Branca. De preferência, nos setembros da vida.



abril 15, 09 às 8:50 pm
dismake dotô, dismake!agora escurrega pra isquerda… vem, vem, ISSO! agora is we!
daprusinhô deixa aí 5 mil real?!
abril 16, 09 às 2:39 pm
Nooossa! Grande história!!!Que medo!
Meu marido é piloto de simulador -por hobbye. Quem sabe ele conseguiria pousar. Assim valeria a pena todas as horas de vôo que ele passa na frente do computador!!!
Bjs
abril 16, 09 às 5:02 pm
I’m so impressed, tia! Eu não teria sangue-frio para aguentar metade. Viajar com o piloto sem vida ao lado já seria motivo para cair dura. Precisar salvar a minha família a não sei quantos pés de altitude, então… Si-nis-tro!
Beijossssssss.
abril 17, 09 às 7:33 pm
Tia, adorei!! Bjos
abril 18, 09 às 1:08 am
Emoção inesquecível. Saindo de um parafuso(manobra em que o avião é lançado para baixo rodando em seu próprio eixo) entro em camadas espessas de nuvens e, como é voo sem instrumentos, fico sem referência e noção para onde estou indo. O que fazer? Nariz do teco-teco para baixo até achar uma referência com risco de encontrar um morro, o próprio solo. Alívio, encontro a melhor referência, a Rio-São Paulo. São momentos de grande tensão e muita adrenalina. Imagine ainda ter a responsabilidade de sua família a bordo?
LA
abril 18, 09 às 9:51 pm
Doug para presidente do Brasil! Esse sim é “o” cara…
Beijo
abril 20, 09 às 3:33 pm
O tétrico da estória é obviada pela escrita fresca e irónica.
Parabéns minha querida!
Adorei.
Bj.