Armação ilimitada
abril 28, 09
Fim de semana em Armação de Búzios, a falsa praia fluminense. Um dia foi possessão francesa das Brigittes, hoje é argentina dos Maradonas. Fala-se castelhano e la garantia soy yo. Um sheik das Arábias, bata comprida e turbante, torrando sob o maçarico solar, caminha pelas areias vendendo seu falso quibe recheado de gorgonzola. Filha de libanês, criada a humus, esfirras e tabules, tenho tese de mestrado: gorgonzola é crime inafiançável de lesa-quibe.
Reclino a cadeirinha, passo os olhos na manchete do jornal aberto pelo companheiro de praia à minha frente: uma imensa foto da falsa Patrícia, Wanda ou Estela da época da repressão, hoje a presidenciável ministra Dilma, e a notícia de sua recém-descoberta doença. Microfones e o que parecem ser médicos e assessores compõem a cena. Aquele esquema de mídia tão rapidamente armado, sei lá, desce fake como um quibe do árabe Severino…
Em segundos, estou em 1985. Revejo a foto da falsa recuperação de Tancredo Neves sentado no sofá do quarto do hospital, ladeado, ou melhor, escorado por médicos sorridentes. Saíssem eles da “fotomontagem”, Tancredo tombaria. Mas, em política, é imperioso fingir, imprescindível manter as aparências e prorrogar, ad aeternum, a enganação cívica.
A ministra, cuja história pessoal nos dá conta de valentia e obstinação, irá superar a doença.
Agora, um fato é indiscutível: daqui para a frente, haja estômago para aguentar o guru de Dilma e seu partido, o PT da falsa ética, na ânsia de poder eterno, torturando-nos, às entranhas, com todo um festival de mentiras, dissimulações e oportunismos demagógicos. Afinal, são mestres. Levam a sério a paródia de James Thurber, escritor e cartunista americano: “Ao contrário do que se diz, pode-se enganar a muitos durante muito tempo.”
Sejamos fortes, nós também. E, sobretudo, atentos.








