Arquivo para março 16, 09
Merci infiniment
março 16, 09
Eu voltei, agora pra ficar… Roberto sempre ajuda a engatar uma primeira, não?
Acalmem-se, queridos do blog. Meu sumiço nada tem a ver com o desaparecimento dos 343 bilionários do planeta, nem com ressaca (a essa altura, amnésia) carnavalesca como pode sugerir o último texto postado ainda em plena folia. Deveu-se aos preparativos do casamento de um dos meus filhos.
Embora cerimônia e recepção estivessem entregues a um time de primeira linha, profissionalíssimo, tive cá minhas ocupações e preocupações. Sem falar dos momentos de lágrimas furtivas (bonito isso…), quando sentia a data se aproximando e aquele nó na garganta apertando por mais um filho que voa para longe, pois que vai morar em Portugal.
A festa transcorreu como sonhada, plena de good vibes, um emocionado brinde de familiares e amigos a um casal adorável. Nem aí se era sexta-feira,13, chuvarada desabando no exato momento em que todos saíam de casa, Niterói submersa, trânsito enlouquecido, eu, o pai e o noivo embecados, engarrafados como os 12 anos da festa, padrinhos ligando para avisar que se atrasariam e o noivo batucando no carro, feliz da vida, acalmando a todos. Parou até para comprar…TicTac.
De forma que enquanto os aguardo da breve lua-de-mel antes da grande mudança, retomo o blog, checo agradecida as dezenas de mensagens deixadas e, se me permitem os autores de duas delas, reproduzo-as, peças literárias que são.
A de um amigo querido pedindo notícias pelo meu silêncio:
Há um tempo (maior do que os amigos suportam) que não recebo notícias suas. Não sei se você voltou para os Estados Unidos, se ainda está por aqui. O silêncio dos amigos nos tiram a nossa própria identidade e eu tenho a curiosidade fraterna de saber de vocês. Li em Affonso Romano um texto em que ele falava de um dinamarquês afastado de sua terra por cinquenta anos e que cantava para si mesmo para sentir o som de sua língua, que não queria perder, e falava para senti-la como se ouvisse um outro com quem pudesse dialogar. Não sei, por exemplo, em que Dinamarca você está, mas sei que guardo esperanças de novo em ouvi-la. Recebam um grande abraço.
E a de uma amiga escritora com um belíssimo poema deixado aos noivos, de autoria de Sophia de Mello Breyner, poetisa portuguesa:
“Quem és tu
Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?
A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.
A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.”
No mais é isso.


