Meus sentimentos
março 30, 09
Após o enterro da atriz Natasha Richardson, cujo trabalho não conheço, devo confessar, foi publicada uma foto com o viúvo, o excelente ator Liam Neeson, e a mãe da atriz, a premiada Vanessa Redgrave, deixando o cemitério. Caminhavam sozinhos e chovia naquele exato momento. Um Liam desolado olhava para o chão e Vanessa, virada para ele, parecia buscar força e argumentos capazes de fazê-lo voltar à casa e seguir vivendo ao lado dos filhos adolescentes. Dor mais que verdadeira, nenhum laboratório de personagens. Meu sentimento foi o de flagrante da vida real, de perda de gente da vizinhança.
Dias depois, uma outra foto do funeral, quando ainda fazia sol, apareceu nos jornais. Nela, a família formalmente reunida, inclusive as crianças, deixava-se captar pelas câmeras. Um Liam sorridente acenava daquele jeito típico dos atores quando pisam no tapete vermelho e Vanessa tentava superar-se em sua dor de mãe, posando com a categoria que lhe rendeu tantos prêmios. Como sói acontecer nos enterros em Nova York, estavam todos muito elegantes em seus sobretudos, óculos escuros, indefectível carro preto ao fundo.
A dor da família não era menor na segunda foto. Claro que não. Mas meu sentimento foi diverso. A “tomada” era Hollywood roubando a cena e impondo, ainda uma vez, as máximas de que o show must go on e there’s no business like show business. Com ou sem crise. E o pior, doendo a quem doer.








