Soltando as amarras
Em avião alterno duas atividades: dormir e rezar. Falta de ar? Que nada. Falta de terra mesmo. No mar só entro quando ele vira lago. Ainda assim, fico de olho esperando ondas gigantes. Maior respeito. E neura, eu sei.
Eis que, 2008 indo embora, domingo de sol, numa das poucas aliviadas do bom e velho São Pedro, aceito o convite de um casal amigo de meu filho para… velejar!!! Favor reler o primeiro parágrafo.
Sem explicação para tamanho ato de coragem e superação, a não ser a paixão que nutro pelo casal, lá fui eu de mala, cuia, “caniço e samburá”. E Dramin, claro.
Geeeeeente, o que esta deslumbrada (no bom sentido) marinheira de primeira velejada perdia na vida… A Baía da Guanabara, seus contornos, morros e ilhotas, por ângulos que nunca vi, fizeram-me compreender por que os franceses se acachaparam por tanto tempo e não arredavam pé; por que Estácio de Sá veio literalmente à luta, atendendo de pronto ao chamado de tio Mem; por que padre Fernão, final do século XVI, narrou que “dentro da barra tem uma baía que bem parece a pintou o supremo pintor arquiteto do mundo, Deus Nosso Senhor”…
Entendi por que Rio, eu gosto de você e minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro. Tudo de bom o pit stop na Urca, sem sair do veleiro, retribuindo sorrisos aos turistas e locais sentados na mureta de pedra; delícia os pastéis de camarão sendo embarcados para acompanhar o branco geladinho no ponto; contagiante o astral e o bom humor do carioca passeando em sua minúscula e humilde traineira com um “Tô nem aí” pintado no casco, acenando para os iates luxuosos… Ponto para ele!
Sentindo a euforia desta grumete que vos escreve, um dos supercompanheiros sugeriu uma foto na proa, cena de Titanic, no que foi prontamente atendido. Preparei meu melhor sorriso. Só deu tempo de escutar a brincadeira da turma: “Dá-lhe carranca do São Francisco!”. Bando de crianças na hora do recreio. O marido da grumete soltinho, soltinho no bailado…
Na volta, nuvens escuras, cheiro de tempestade no ar. Vento forte, velas abertas, veleiro cambando. Tremi e me perguntei, já num silêncio de náufraga, o que raios (e relâmpagos) eu estava fazendo ali.
A resposta veio em forma de chuva benfazeja, daquelas que nos batizam novamente, passam a vida a limpo, depuram e celebram a união de família e amigos que se amam. Daquelas que varrem para longe as tristezas, preocupações, decepções com o ser humano e, quer saber, ainda que momentaneamente, até raiva de políticos, essa corja merecedora de todas as sapatadas.
Olhos e alma lavados, veio a calmaria e o veleiro seguiu cortando a água com destino àqueles (dois!) arco-íris de promessas mágicas que se abriram. Com potes brilhantes e tudo… Eu vi.
Vida, vento, vela… Valeu!



janeiro 1, 09 às 9:31 am
Tia Selma,
Ainda não havia passeado por aqui, e na manhã do 1º dia de 2009, acordei e como um bom curioso, aqui estive. Estive, e gostaria de registrar que adorei o texto sobre a nossa velejada, e me senti muito honrado sobre a foto que ficou exposta acima dele. Gostaria de registrar também o bom desempenho que os marinheiros de 1ª viagem tiveram, e agradecer ao convívio, embora curto, com um casal tão entrosado e com um astral fantástico. Feliz Ano Novo a todos…
Bjos, Brunno “NEB” Vivas
PS.: Precisando de mais fotos, tenho muitas sobre paisagens e flores. Caso queira dar uma olhadinha, acesse meu Orkut (Brunno Vivas). Fique a vontade.
janeiro 1, 09 às 12:28 pm
Bruno querido,claro que o supercompanheiro a quem me referi é você!!! Além de ser um gentleman (figura escassa hoje!).
Passe sempre pela minha blogosfera e claro que vou ver suas fotos e usá-las (com o honroso crédito).
Um beijão, gratíssima por aquele dia abençoado e … FELIZ 2009, com saúde e sonhos realizados!
janeiro 1, 09 às 5:01 pm
Primeiro, o empolgante e real relato da deslumbrada grumete. Segundo, o prazer de ter estado em companhia de amigos tão queridos como Brunno, Joana, Aluizio e meus filhos – Pedro e Fabi.
Embora não seja marinheiro de primeira viagem, esta velejada, especialmente, ficará na história.
Um maravilhoso 2009 para todos!
O Comandante.
janeiro 6, 09 às 5:53 pm
Comentário estilo Joana:
PQP!! Você é mesmo o máximo!! Agora estou mais sua fã!! Como diz Siri: HIPER-SUPER-MAXI-COCOTA NÁUTICA!!
Gostaríamos de agradecer a ilustre presença da família Barcellos! Vocês são muito queridos e sempre bem vindos em nossa casa e barco! Quando retornarmos deste humilde passeio marcaremos uma nova aventura com direito a bebidas e quitutes variados!!
Feliz Ano Novo!
Obs: Nebi, tb amamos sua presença!! hehehe
Beijos no coração
janeiro 6, 09 às 6:12 pm
Olá, meus queridos! Faltavam vocês aqui neste espaço! Obrigada pelo carinho e voltem logo ao nosso convívio!
Beijos e um 2009 assim de arco-íris!
Cocota Náutica e Comandante
setembro 13, 09 às 8:08 pm
Selma,
adorei o texto.
Você foi DEMAIS…
Haja criatividade!!!
Beijos,
Leila