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dezembro 2, 08
Carta de um aprendiz de alfaiate à sua namorada, publicada na coluna MANUAL DO NAMORADO, num jornal carioca, em 1869:
“Minha fazenda,
Passei hoje o dia sem dar um ponto com saudades tuas, o coração trespassado pelas agulhas de tua indifferença, a alma cosida de amarguras, a cabeça como uma almofada de alfinetes, os pensamentos sem fio, tudo isso por motivo do pouco caso que hontem me mostraste!
Casemira de minha alma, as tuas faces são macias como a seda de forro ou como o astrakan das golas que eu pesponto; teus cabellos são como novellos de retroz preto! Teus olhos reluzem como botões de onix! Tua cinturinha não mede 25 pontos! Teus pés são como dous ferros de engommar que abrazam meu coração! Teus dedos como canudinhos de retroz côr de rosa! Teu talhe é digno de uma casaca de panno fino, forrada a seda.
Ah! minha Casemira, não desprezes o teu amante, não lhe córtes as esperanças que tem de que um dia serás dele!
Se isso intentas, faze antes do meu coração bainha e atravessa-o com a agulha da ingratidão.
Já me sinto afogar nas mangas da tua maldade, sepultar-me nas abas de tua indifferença, o coração d’antes entumecido com os enchimentos das esperanças faz rugas dolorosas que nem o ferro mais quente póde tirar.
Volta, Casemira, a olhar para mim, verás como tratarei de fazer casas em que habitaremos juntos, constantes, amantes e delirantes.
Deste teu adorador que alinhavou estas ás pressas.”
Eleutherio (“Olhar Carioca”)
Inspirado na carta de Eleutherio, o técnico em informática Cyberdel Silva, também sofrendo por amor, assim pediu a amada de volta em imenso outdoor:
Java, minha deusa, por que vc me deletou de sua vida? Desde que aquele maldito vírus nos separou, meu sistema caiu, o disco rígido travou. Sem backup de nossos arquivos, estou perdendo o Ctrl. Vamos dar um Esc na situação e restartar nossa união. Quero ser seu provedor para sempre!
Cyberdel
Com a retórica desses dois, será que Casemira e Java voltaram? Sei não…




