Palavras, sempre um bom negócio…
Há algumas semanas, o escritor Ignácio de Loyola Brandão conquistou o prêmio Jabuti de Livro do Ano de Ficção, por sua mais recente obra -- “O menino que vendia palavras”. Ao receber a premiação, declarou: “Tenho a felicidade de ainda conviver com as duas professoras do primário que me ensinaram a ler e a escrever. O prêmio é dedicado a elas”.
A propósito, sempre foi de muito afeto a relação de Ignácio com seus mestres. No lançamento de “Veia Bailarina”, por exemplo, na fila de autógrafos, estava um antigo professor de quase 90 anos. Ao vê-lo, o autor escreveu a seguinte dedicatória: “A quem me ensinou a escrever”. O senhor, surpreso e emocionado, já que havia sido seu professor de química, ouviu de Ignácio a explicação de que fora a sua sensibilidade em perceber que ele jamais seria um químico e dar-lhe notas, lá no fundo da sala, pelas crônicas que escrevia, que fez dele um escritor. Bonito, não?
A personagem do premiado livro, em resumo da editora, “ é um menino que tem muito orgulho de seu pai, um homem culto, inteligente e que conhece as palavras como ninguém. Se os amigos do menino querem saber o significado de alguma palavra, é ao pai dele que sempre recorrem. Quer saber o que é epitélio? Alforje? Lunático? Ele sempre tem uma resposta.
A curiosidade dos amigos é tão grande que o menino logo percebe: e se começasse a negociar o significado das palavras? Gorgolão? Vale uma fotografia de um navio de guerra. Enfado? Um sorvete de picolé, trazido pelo dono da sorveteria. Pantomima? Um chiclete.
E assim começa seu “negocinho” no bairro, escondido do pai, é claro. O menino, sempre com um humor leve e envolvente, descobre como é importante conhecer as palavras, pois assim ele vai saber conversar, orientar as pessoas, explicar suas idéias e sentimentos, desempenhar melhor suas tarefas, progredir na vida, entender todas as histórias que lê e até mesmo convencer uma menina a namorá-lo! E, assim, vai aprendendo essas e outras lições valiosas e percebendo com seu pai o quanto a leitura é necessária, pois quanto mais palavras você conhece e usa, mais fácil e interessante fica a sua vida”.
“O menino que vendia palavras” é autobiográfico, a história da infância de Ignácio, na medida em que seu pai, um apaixonado pelas palavras, conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 títulos, incentivando-o a ler desde que completou a alfabetização, e ele, o autor, confessou que também chegou a trocar palavras por figurinhas e bolas de gude com seus colegas de classe.
Interessantíssima história, brilhante idéia, sobretudo numa época em que as crianças se esmeram no “internetês”, com suas palavras abreviadas e vocabulário reduzido.
Enfim, queridos do blog, estejam certos de que este post não tem outra intenção que a de recomendar às crianças um livro adorável, sugerir aos pais que imitem o do protagonista ( filhos que vêem os pais lendo, acabam por gostar de ler) e, hélas!, como professora, agradecer ao autor pelo reconhecimento público da relevância do nosso trabalho.
Bravíssimo, Ignácio!


novembro 19, 08 às 11:09 am
Professora Selma, o livro em questão já faz parte dos presentes de Natal para os sobrinhos e filhos de amigos.
Excelente recomendação do Blog.
Abraços.
novembro 23, 08 às 7:03 pm
Embora deste lado do Atlântico a ideia é óptima. Uma ode ao sentido da palavra no mundo de hipérboles tecnológicas
Um beijinho.
junho 22, 10 às 2:49 pm
Prof Selma gostei muito desse livro
amei o assusnto;;
Beijos>.
Abraços!!!