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Palavras, sempre um bom negócio…
novembro 18, 08
Há algumas semanas, o escritor Ignácio de Loyola Brandão conquistou o prêmio Jabuti de Livro do Ano de Ficção, por sua mais recente obra – “O menino que vendia palavras”. Ao receber a premiação, declarou: “Tenho a felicidade de ainda conviver com as duas professoras do primário que me ensinaram a ler e a escrever. O prêmio é dedicado a elas”.
A propósito, sempre foi de muito afeto a relação de Ignácio com seus mestres. No lançamento de “Veia Bailarina”, por exemplo, na fila de autógrafos, estava um antigo professor de quase 90 anos. Ao vê-lo, o autor escreveu a seguinte dedicatória: “A quem me ensinou a escrever”. O senhor, surpreso e emocionado, já que havia sido seu professor de química, ouviu de Ignácio a explicação de que fora a sua sensibilidade em perceber que ele jamais seria um químico e dar-lhe notas, lá no fundo da sala, pelas crônicas que escrevia, que fez dele um escritor. Bonito, não?
A personagem do premiado livro, em resumo da editora, “ é um menino que tem muito orgulho de seu pai, um homem culto, inteligente e que conhece as palavras como ninguém. Se os amigos do menino querem saber o significado de alguma palavra, é ao pai dele que sempre recorrem. Quer saber o que é epitélio? Alforje? Lunático? Ele sempre tem uma resposta.
A curiosidade dos amigos é tão grande que o menino logo percebe: e se começasse a negociar o significado das palavras? Gorgolão? Vale uma fotografia de um navio de guerra. Enfado? Um sorvete de picolé, trazido pelo dono da sorveteria. Pantomima? Um chiclete.
E assim começa seu “negocinho” no bairro, escondido do pai, é claro. O menino, sempre com um humor leve e envolvente, descobre como é importante conhecer as palavras, pois assim ele vai saber conversar, orientar as pessoas, explicar suas idéias e sentimentos, desempenhar melhor suas tarefas, progredir na vida, entender todas as histórias que lê e até mesmo convencer uma menina a namorá-lo! E, assim, vai aprendendo essas e outras lições valiosas e percebendo com seu pai o quanto a leitura é necessária, pois quanto mais palavras você conhece e usa, mais fácil e interessante fica a sua vida”.
“O menino que vendia palavras” é autobiográfico, a história da infância de Ignácio, na medida em que seu pai, um apaixonado pelas palavras, conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 títulos, incentivando-o a ler desde que completou a alfabetização, e ele, o autor, confessou que também chegou a trocar palavras por figurinhas e bolas de gude com seus colegas de classe.
Interessantíssima história, brilhante idéia, sobretudo numa época em que as crianças se esmeram no “internetês”, com suas palavras abreviadas e vocabulário reduzido.
Enfim, queridos do blog, estejam certos de que este post não tem outra intenção que a de recomendar às crianças um livro adorável, sugerir aos pais que imitem o do protagonista ( filhos que vêem os pais lendo, acabam por gostar de ler) e, hélas!, como professora, agradecer ao autor pelo reconhecimento público da relevância do nosso trabalho.
Bravíssimo, Ignácio!

