Mas como dói!
novembro 23, 08
Poeminha-recado de Drummond aos cariocas, depois de ter os óculos de sua estátua roubados, pela sexta vez, na praia de Copacabana…
Se me chateio? Demais.
Choram meus olhos inúteis
e minhas retinas fatigadas
já nem perguntam nada.
Minhas pupilas estão gastas
pela visão contínua de anjos tortos,
desses que vivem na sombra,
à espreita, no meio do caminho.
Fora esse gauche de óculos
a estátua de uma bunda,
a vasta bunda da Raimunda,
engraçada, sempre sorrindo,
haveria rima e solução.
Eis que mais vasto é meu coração.
E aqui de onde escrevo
estamos todos vivos
(mais que vivos, alegres)_
eu, o poetinha, o Braga, o Jobim…
Nada devia dizer
sobre tristes fatos, ao cabo.
Mas essa lua, mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.








