O lado B ou de como o ego inflado aciona o pavão
Não sei se você que vem comigo acompanhou a celeuma que provocou, na blogosfera e na mídia tradicional, a carta postada pelo escritor Paulo Coelho ao Ministro da Cultura, Sr. Juca Ferreira.
Tentarei resumir a tal carta: segundo o escritor, havia sido confirmada, pela Embaixada do Brasil na Alemanha, e pelo próprio ministro, a presença deste no “maior evento literário do planeta”, a Feira de Frankfurt, da qual ele, Paulo Coelho, faria a abertura como “autor de cem milhões de livros vendidos”, “o mais traduzido do planeta, de acordo com o Guinness”. E qual não foi sua surpresa, faltando dias para o evento, receber a ligação do ministro, em um restaurante, avisando que não compareceria à Feira, pois teria outra agenda a cumprir. Ainda na carta, o escritor pede de volta ao ministro o convite para entregá-lo a um mendigo ou a um desempregado, já que o convidado ocupado não aceitara ir ao banquete, aludindo a uma parábola que Jesus conta no Novo Testamento. Finaliza deixando claro que, com ou sem o ministro, sua fama e seu brilho sairiam ilesos do episódio.
Jamais li os livros de Paulo Coelho. Seu tipo de literatura não faz minhas delícias.
Porém, com base na carta do escritor e nas centenas de comentários que chegaram ao blog de Ancelmo Góis, o jornalista que reproduziu a carta na íntegra, faço duas ponderações.
A primeira delas é que, embora reconhecendo como legítima a reprovação do escritor à atitude, no mínimo deselegante, do ministro, tenha ela ocorrido por equívoco de agenda ou não, causou-me espanto o lado B de Paulo Coelho.
Pela ira que transborda de sua carta, o mago interrompeu o ommmmmmmm e despiu-se das vestes zen. Sim, o ego inflado abriu-lhe a imensa cauda de pavão. Perdeu a serenidade. Desequilibrou.
Definitivamente, a vaidade exacerbada e a falta de humildade demonstradas não condizem com o que o escritor prega, passa, seja lá que termo se dê ao que resulta dos textos que publica.
Vamos combinar que seria suficiente a bronca pública, já que ambos, ministro e escritor, também o são. E porque houve, pelo que se deduz, uma desatenção talvez até mais prejudicial ao mercado editorial brasileiro, dada a dimensão do evento, do que ao próprio Coelho.
Meus outros espantos dizem respeito aos comentários enviados, tanto para o blog do jornalista Ancelmo, quanto para o do escritor. Além de virem, em sua esmagadora maioria, de leitores que não o apreciam (e o massacraram verbalmente), continham uma espécie de consenso que justificava a atitude do ministro: ele é muito ocupado, tem mais o que fazer.
Fazer? Como assim? O que faz o Ministro da Cultura do Brasil ou pelo Brasil? Quem conhece o Sr. Juca Ferreira? Quem é ele no panorama cultural brasileiro? Com que méritos ascendeu ao cargo? Ou foi bastante a indicação do companheiro compositor (dos bons, por sinal) que acabou de deixar o Ministério? Aguardo respostas.
Sinceramente, a ter alguém tão culturalmente inexpressivo como o Sr. Juca a nos representar, pergunto se não faria mais pelo Brasil (além de sair barato aos nossos combalidos bolsos) distribuir a famosa bala homônima, a nossa Juquinha, pela Feira. Algo me diz que Frankfurt jamais seria a mesma…
Perdoem-me a piada azedinha, leitores. Também tenho meu lado B.


outubro 11, 08 às 12:02 pm
Como de outras vezes, Selma coloca sua opinião de uma maneira muito peculiar, usando metáforas alegres e inteligentes. Realmente, houve deselegância por parte do “ministro” e soberba do lado do “escritor” (as aspas refletem minha opinião sobre os dois personagens envolvidos na celeuma).
Leo
outubro 12, 08 às 3:18 pm
Somos duas. Paulo Coelho definitivamente não faz o meu género. Mas enfim. Quem sou eu?
Por outro lado ,e porque conheço o género, uma espécie de “maladie” que grassa nas hostes dos préclaros, daqueles que justa ou injustamente se acham predestinados, eleitos ,sei lá que mais, mas dizia eu, que muitos deles, tiveram sorte, pura e simplesmente sorte. Tenho lido muito bom artigo passível das mais altas laudas e, que todavia o seu escriitor, escrevinhador, ou seja lá o que for , nunca passará da cepa torta. Porém, outros há, que se acham catapultados até ao Olimpo e depois nem sequer têm a graça, conquanto a inteligência de degustarem a Ambrósia…Noblesse oblige, ma chérie.
Relativamente ao seu Juquinha, minha querida, por cá temos jumentosinhos iguais, perdoe-me o linguajar… mas eu sou sibilina em certas alturas…
Bjinho.
outubro 13, 08 às 10:21 am
Lá pelas bandas do meu azul tem um pequeno doce…
Gostaria que o abrisse.
Bj.