Por que Poesia em tempos de indigência?
Com este texto, escrito em 2004, fui a primeira classificada no Concurso Nacional de Redação para Professores da Academia Brasileira de Letras e do jornal “Folha Dirigida”. Momento de imensa realização…
“Repetir, repetir – até ficar diferente.”
(Manoel de Barros)
Porque precisamos, mais que nunca, de lirismo que é libertação, delírio do verbo. De tocar tango argentino e dançar sobre um palco iluminado até o sapato pedir pra parar. De ser gauche na vida e ouvir estrelas, que felicidade aparece mesmo é em horinhas de descuido.
Porque temos visto demais o beco. E no meio do caminho, pedras. E rostos assim tristes, assim magros, olhos tão vazios. Temos tido febre, dispnéia, suores noturnos. Diante de nossas retinas fatigadas, o horizonte é apenas o da fotografia na parede. Isso dói. Navegar é preciso e nosso barco, estranho barco, navega a remo, a dor de braço; de vela é rico, de vento é escasso.
Porque nos têm sufocado a mediocridade pachorrenta; a miopia displicente das elites, mudas telepáticas; o vazio absoluto das idéias, falácias que não sabem de rima, nem de solução.
Porque José nunca tivera querido dizer palavras tão loucas a sua Fulô. Mas a mão que afaga também apedreja. E agora José, sem carinho, em total solidão, fim de quem ama, vai viver da poesia que entorna no chão, inventar o cais, se lançar. Ainda que o Tejo não seja o rio de sua aldeia. O resto é mar.
Porque é mentira que basta de lero-lero, vida noves fora zero e um dia estaremos mudos – mais nada. A alquimia do verbo sempre irá nos lembrar de nunca morrer assim, num dia assim, de um sol assim! Pois para isso fomos feitos: para a esperança no milagre, para vermos a face da morte e, de repente, nunca mais esperarmos. Apenas nascermos, imensamente. E, na medida do impossível, renascermos. A cada dia, Fênix. A cada dia. Vida é para ser reinventada.
Assim, que poesia é voar fora da asa, migrando ao sabor dos vôos e vertigens das redondilhas, pedirei à cotovia que leve aos céus este avigrama redentor:
Senhor, poupai os poetas! Eles abriram janelas, salvaram afogados. Teceram as palavras em poesia, oráculo pelo qual rompestes Vosso silêncio. Deixai que flutuem para o Amanhã, livres de correntes, remidas, suas almas nuas!
Em tempos de carências, bem-vinda a poesia, louvados os magos-poetas que nutrem nosso espírito e nos afagam os sentidos. Jamais seres acima do bem e do mal. Tampouco o novo homem. Apenas vetores de sentimentos, emoções e idéias e por isso mesmo, de mudanças onde toda indigência se dilui.
Seja-lhes sempre fontana a inspiração, pois daqueles a quem deu o dom de conceber idéias ou emoções especiais e exprimi-las de forma estética, parece claro que Deus espera algo. Quem dá os meios, dá a missão.
“Não me acorde, se estou sonhando” – disse Dom Quixote, o maior dos sonhadores, ensinando-nos que a utopia, da qual nasce a esperança, é parte da condição humana, assim como transcender, superar ou modificar essa mesma condição é necessidade indispensável ao homem, justo porque essa condição é imanente.
A cada um de nós é dado ver as coisas como são e perguntar-nos: por quê? E sonhar como as queremos ver e perguntar-nos: por que não?- refletiu Bernard Shaw.
Assim também, em tempos tais que vivemos, sejam abençoados os magos-professores, esses desdobráveis de pés no chão e olhos nas estrelas, a quem cabe o cotidiano desafio de soltar amarras, romper margens, dissipar sombras e conduzir barcos a ultramares onde a Educação, plasmada em novo código genético, há de diluir indigências e tecer mais luminosas manhãs.


setembro 23, 08 às 9:56 am
Selminha Querida,
é com imenso prazer que venho elogiar mais uma obra de amor sua com a poesia. Você, por si só, já é a mais bela poesia em meus pensamentos e sentimentos.Ter você como MELHOR AMIGA, já faz de mim uma pessoa realizadíssima.
Como se ainda não fosse o bastante as nossas trocas de carinho, podemos agora trocar um pouquinho mais no seu lindo blog poético!!!
Estou muito, muito feliz por mais uma realização da sempre TIA SELMA!!!
Beijos carinhosos,
Fabica.
setembro 23, 08 às 4:27 pm
Selma,
Adorei seu Blog! Tia Zozô me deu a dica!!
Espero que estejam bem, você, Luiz e Duda.
Tia Isa manda lembranças.
Um grande abraço e até a próxima mensagem.
setembro 24, 08 às 6:00 pm
Tia Selma, já respondi o seu e-mail.
Que bom que está com blog também!!!
Super moderna!!!
Adorei!!!
Saudade!
Bjao
setembro 26, 08 às 10:00 am
Selma,
Amei! Primeiro pela iniciativa, depois pela qualidade, graça e criatividade!
Semita, vc é demais!!!
Saudade! Bjka.
outubro 29, 08 às 10:57 am
Linda Tia Selma
Que momento mágico esse!
Gostaria muito de ter o dom de juntar palavras para poder demonstrar
meus agradecimentos diante da sua manifestação de amor por todos
os alunos que fizeram parte da sua vida acadêmica.
São esses pequenos gestos, mais grandiosos na essência, que nos trazem
a deliciosa sensação do inesperado, da surpresa, do mistérios e da
complexidade dessa
coisa fantástica, que chamamos de vida!
Somente as pessoas como você – sensível – tem essa capacidade única de
sentir
e transmitir sentimentos de forma genuína e sincera.
É bom recordar….. 20 anos passaram….
momentos vividos com tanto respeito, mesmo aqueles em que houve um pouco de
tensão
ou de angústia, nós o vivenciamos com otimismo e sempre com a certeza de
superá-los pq tinhamos o constante espírito da cooperação.
Sou Margot, mãe do Alexandre Rangel, a quem você carinhosamente apelidou
de “Xandebinha”…. gostaria que você soubesse que ele é um filho incrível
e muito me orgulho!
O seu “bom dia” e a”até amanhã” ficam, carinhosamente envoltos em um
lindo laço de fitas, retidos em minha memória.
Obrigada por tudo, principalmente pela cordialidade, gentileza, e sobretudo
por
ter compartilhado tantas vezes mesmo que silenciosamente das emoções
dos nossos filhos.
Que os anjos lhe ajudem a celebrar a vida, com muita fé, paz e amor!
nosso maior carinho
Margot, Alexandre e Marianne (que tb estudou no Abel)
outubro 30, 08 às 7:33 am
Margot, seu comentário carinhoso, repleto de boas lembranças, me emocionou demais!
Que bom saber de meu Xandebinha… 20 anos depois! Claro, de árvore tão boa só poderiam advir frutos assim!
Agradeço sua mensagem, seus votos, suas referências afetivas ao meu trabalho ( será que era trabalho?) e espero sempre ter notícias de vocês aqui no Blog.
Beijos nos três!
Tia Selminha
janeiro 22, 09 às 3:47 pm
Tia Selma, quando você foi para os estados unidos sentimos muita falta de você aqui no Rio …
volta para o Abel tia , a gente te adoro demais.
Beijos
janeiro 22, 09 às 3:49 pm
estamos com muitas saudades de você sentimos muito a sua falta.
Beijos
janeiro 22, 09 às 4:50 pm
Carolzinhaaaaaaa, meus Lírios queridos!!!
A tia continua amando vocês, sente saudades também e pretende visitá-los quando as aulas começarem!
Que bom que você chegou ao meu blog!
Leu o texto que escrevi para meus ex-alunos,chamado “Fazendo a chamada?” Então, leia e comente!
Beijocas e mais beijocas da tia!!!