Força de expressão
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Um pé-de-chinelo, sem eira nem beira, o Silva.
Estava mal, deprimido, precisando de escada até pra limpar meio-fio. Dor de cotovelo.
Aquele “Vê se me erra, Silva!” ainda dilacerava o coração.
Assim, à toa, pensamento marinando, saudade apertando, arrumou sarna pra se coçar.
Entrou no pé-sujo da esquina, se afogou na manguaça.
Na volta ao lar, mais perdido que cachorro caído de caminhão de mudança, estômago no buraco, catou a raspa do tacho, pediu um pedaço de pizza.
Teve baita piripaque. Bateu as botas.
Foi enterrado lá onde Judas perdeu as mesmas.
No aqui jaz, gaiato escreveu: “Beleza pura, Silva, tudo acabou em pizza!”.
Força de expressão.
Obs. O Blog aproveita para dar adeus ao hífen, o próximo a bater as botas.



outubro 1, 08 às 8:42 am
Tia Selma, este seu texto deveria se transformar em exercício de redação. Os estudantes o reescreveriam, usando as expressões idiomáticas atuais. Ficaria interessante, não?
Parabéns, parabéns.
Obs. O chorinho, ao fundo, deixou tudo redondinho. Gostei!
outubro 1, 08 às 8:48 am
Quiba, agradeço sua sugestão.Você é leitor de imensa sensibilidade. Aliás, seu comentário sobre o post “Fazendo a chamada” me encantou pela precisão com que analisou meu objetivo ao escrevê-lo.
Abraço,
Selma
outubro 5, 08 às 12:35 pm
Com alguma dificuldade para apreender o pormenor, todavia não deixo de aplaudir pelo ritmo que imprimiu. Para além disto, uma estória de vida magistralmente contada, e em poucas palavras. Os meus sinceros parabéns.
Um beijinho.